Outro pequeno crossover?
Sim. Este é, no fundo, uma versão mais "enchida" do Peugeot 208, pensada para disputar atenções com Vauxhall Mokkas e Ford B Maxes e, quem sabe, até com Nissan Jukes - embora o Nissan seja um pouco maior e também mais caro. Noutros tempos, provavelmente estaríamos a falar de uma pequena carrinha - algo na linha da antiga 207 SW, por exemplo - mas este é o tempo dos crossovers, e é assim que o 208 vai ser diversificado.
Conceito e dimensões do Peugeot 2008
Então e de tamanho, como é?
Por dentro, a sensação de espaço é muito semelhante à de um 208, ainda que com mais folga para a cabeça dos passageiros atrás. Por fora, não é tão volumoso como as fotografias podem sugerir: no ponto mais alto das barras de tejadilho fica abaixo dos cinco pés, ou seja, menos de 1,52 m.
A bagageira, no entanto, revela-se bastante útil, com a zona de carga nivelada até à extremidade, o que facilita pôr e tirar coisas. E os bancos traseiros rebatem completamente na horizontal, deixando espaço mais do que suficiente para carregar alguns sacos cheios de bolas de futebol.
Interior e materiais
Por dentro parece mesmo um 208...
A arquitectura é a mesma (com a excepção de um novo travão de mão ao estilo de comandos de avião), mas os materiais foram actualizados. Em vez dos habituais pretos piano e frisos prateados, aparecem pinturas de acabamento acetinado e superfícies com mais textura.
O carro que conduzimos trazia contornos das saídas de ventilação em tom acobreado, um tablier revestido com um tecido que fazia lembrar serapilheira, e bancos forrados com algo parecido com redes douradas.
É caso para chamar a polícia do gosto?
À primeira vista soa a mistura improvável, mas no conjunto resulta surpreendentemente bem. Dá a ideia de que os designers passaram horas em lojas de mobiliário, a apalpar abat-jours e sofás, a imaginar onde é que sensações semelhantes poderiam funcionar num automóvel. Por várias vezes demos por nós a passar a mão pelo tablier ou a contornar as saídas de ar com um dedo. Pena é que o exterior não seja tão cativante...
Mas nas fotos até parece bem.
Ao vivo, acaba por ser apenas um bocadinho... esquecível. As superfícies parecem algo planas e o desenho recorre a truques e enchimentos visuais para disfarçar formas menos felizes. Repare na quebra do tejadilho: o volume é "cortado" por inserções cromadas por cima das portas traseiras. E, numa primeira impressão, até pode parecer que a linha do tecto segue as curvas elegantes das barras de tejadilho; na realidade, ergue-se acima do pilar B, tal como num Skoda Roomster - e isso é feio. Apostaríamos com segurança que não vai tornar-se um clássico de design.
Ao volante e fora de estrada
Ok. E a conduzir, vale a pena?
A maior surpresa está na forma como anda em estrada. Este VTI pesa apenas 1080kg e não é especialmente alto, por isso não há muita moleza nem inclinação de carroçaria. O gasolina 1.6 - uma versão menos potente do motor do 208 GTI - mostra-se vivo e suave.
O conforto de rolamento, tanto com jantes 16 como 17, mantém-se bem controlado. A direcção também tem mais peso e sensibilidade do que a de um 208 "normal". Já o 1.6 diesel, por seu lado, leva mais 100kg, grande parte em cima do eixo dianteiro, e por isso não transmite a mesma agilidade.
Dá para ir para fora de estrada?
Se fizer questão. O 2008 é apenas de tracção dianteira, embora as versões mais caras possam receber o sistema “Grip Control” da Peugeot, que recorre à electrónica para distribuir a força ao longo do eixo dianteiro. Tal como num Range Rover, pode indicar-lhe que tipo de piso tem pela frente; ao contrário de um Range Rover, não vai dominar a paisagem por completo. No essencial, é apenas um controlo de tracção mais elaborado - ainda que razoavelmente eficaz - e um apontamento um pouco desnecessário na ambição de parecer um SUV.
Estatísticas:
1598cc, 4cyl, FWD, 120bhp, 122mph max, 0-62mph 9.5secs, 1085kg
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