Não há nada como uma pitada de xenofobia para pôr toda a gente a falar neste país.
A BMW é dona da Mini, a BMW fabrica o novo Mini Clubman e a BMW recusa-se a trocar a chamada porta suicida do novo Mini Clubman para se adaptar ao nosso mercado. Resultado: instala-se a ideia de que os alemães malvados querem pôr as nossas crianças em perigo, obrigando-as a sair do carro directamente para o trânsito em sentido contrário.
A polémica da porta e a realidade do uso diário
Só que há um detalhe essencial que muita gente está a ignorar. Com que frequência é que vê um Mini a fazer o percurso de levar e trazer os miúdos da escola? E o Clubman, apesar de toda a pose de “Mini carrinha”, não vai fugir a essa regra. Isto continua a não ser um automóvel com um aproveitamento de espaço brilhante.
O que ele é - pelo menos na versão Cooper D conduzida aqui - é um carro muito giro e, ao mesmo tempo, ecologicamente sensato. A BMW tem falado bastante, nos últimos tempos, dos seus sistemas Efficient Drive, e o novo Mini recebe exactamente esse tipo de atenção.
Efficient Drive no Mini Clubman Cooper D: tecnologia e consumos
Na prática, isso traduz-se em direcção eléctrica, sistema de regeneração de travagem, tecnologia de arranca-e-pára, motor Diesel de injecção directa por rampa comum - um conjunto que, em conjunto, faz do Clubman um caso sério de economia.
O arranca-e-pára funciona de forma exemplar em cidade e nunca o deixa “pendurado” nos semáforos; mas, quando se junta esta solução ao Diesel de 1,6 litros, é que tudo começa realmente a encaixar.
Como grande parte do país não é propriamente feita de zonas urbanas, a maioria da condução não tira partido constante do arranca-e-pára. O que acaba por contar, então, é a parcimónia do Diesel - e este Clubman é mesmo poupado: num fim de semana, fiz uma média acima de 5,1 l/100 km e as emissões de CO₂ ficam num valor baixo, de 109 g/km.
Também é um motor bastante refinado. Sim, a frio ainda se mostra algo áspero (e o arranca-e-pára também não entra ao serviço enquanto não aquecer), mas, mal atinge temperatura, torna-se mais silencioso. E mais suave - sobretudo em auto-estrada, onde praticamente deixa de se ouvir.
O problema é que lhe falta alguma força, o que o obriga a recorrer à caixa com mais frequência do que seria desejável, sobretudo tendo em conta que estamos a falar de um Diesel.
Conforto, comportamento e limitações de espaço
Ainda assim, não confunda este Mini “carrinha” com um carro prático. A bagageira continua a ser pequena para a média do segmento, e os bancos traseiros não foram feitos para dois adultos de 1,83 m sentados um atrás do outro.
Dito isto, a variante Clubman trouxe uma melhoria clara ao Mini: a forma como rola é ligeiramente mais confortável. A distância entre eixos maior ajuda, como é óbvio, e mesmo com jantes de 17 polegadas o carro mantém-se fluido a passar por asfalto degradado.
Em nenhum momento dá a sensação de que o vai atirar para a sebe mais próxima. E há outra boa notícia: o Clubman continua a parecer quase tão ágil como um Mini “normal” e raramente se tem consciência de qualquer volume extra pendurado atrás.
O que, talvez, faça deste o Mini a escolher - se conseguir ignorar o cinismo moderno de ressuscitar uma ideia tão antiga -, porque mantém tudo o que o Mini tem de bom (comportamento, estilo, imagem), com um interior um pouco mais utilizável e, idealmente, um pouco mais de exclusividade.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário