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Preços dos combustíveis: gasóleo simples e gasolina simples voltam a subir com EUA e Irão

Homem abastece carro numa bomba de gasolina enquanto olha para telemóvel num posto de combustível.

Nas últimas semanas, o entendimento em aberto nas negociações entre os EUA e o Irão ajudou a travar a escalada e a dar alguma estabilidade aos preços dos combustíveis. Ainda assim, a partir da próxima semana, a tendência deverá mudar.

Subidas previstas para gasóleo simples e gasolina simples

Na segunda-feira, tanto o gasóleo simples como a gasolina simples deverão ficar mais caros. Segundo fontes do setor, o gasóleo simples deverá aumentar três cêntimos por litro, ao passo que a gasolina simples deverá subir dois cêntimos por litro.

Com estas alterações, o preço médio do gasóleo simples deverá passar para 1,798 €/l, enquanto o da gasolina simples deverá fixar-se nos 1,897 €/l.

Como são apurados os preços médios divulgados

A estimativa do preço dos combustíveis é calculada com base nos dados publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) - neste caso, os valores reportados na última quinta-feira, 2 de julho. Os números disponibilizados pela DGEG já refletem os descontos aplicados pelas gasolineiras e também as medidas do Governo que estão atualmente em vigor.

Ainda assim, importa sublinhar que estes valores não correspondem, necessariamente, ao que será cobrado em cada posto. Tratam-se de preços médios e meramente indicativos, uma vez que os revendedores continuam a definir os preços de acordo com a sua própria estratégia.

As medidas em vigor

Com o início do conflito no Médio Oriente e a consequente pressão em alta sobre os preços dos combustíveis, o Governo avançou com o reforço do desconto extraordinário aplicado ao ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos).

No arranque desta semana, e perante a estabilização observada nos mercados internacionais, o Executivo decidiu não mexer no apoio: 2,48 cêntimos por litro no gasóleo simples e 3,12 cêntimos por litro na gasolina simples.

Apesar de a portaria referente à próxima semana ainda não ter sido publicada, a subida agora antecipada para os preços dos combustíveis pode levar o Governo a voltar a reforçar o desconto no ISP. Recorde-se que esta medida excecional tinha sido inicialmente definida apenas até ao final de junho.

Também no início desta semana, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, assegurou que o apoio continuará enquanto se mantiverem as atuais condições de mercado, acrescentando, porém, que o desconto será retirado de forma gradual quando a situação estiver estabilizada.

Esta redução extraordinária do ISP soma-se, além disso, à que está em vigor desde 2022, criada para mitigar o impacto da subida dos combustíveis após a invasão da Ucrânia pela Rússia. O mecanismo baixou parcialmente o imposto aplicado à gasolina e ao gasóleo e tem sido ajustado de forma progressiva, acompanhando a evolução das cotações.

Conflito no Médio Oriente, Estreito de Ormuz e Brent

Importa recordar que a escalada dos preços dos combustíveis em Portugal e na Europa está diretamente relacionada com o conflito no Médio Oriente, que levou ao encerramento do Estreito de Ormuz - uma das principais rotas de escoamento do petróleo proveniente do Golfo Pérsico. Cerca de 20% do comércio mundial de crude atravessa esta via.

O mercado petrolífero tem atravessado um período de forte volatilidade. Antes do início do conflito, o barril de Brent (referência para os mercados europeus) rondava os 72 dólares; com o agravar das hostilidades, chegou a ultrapassar os 110 dólares.

À data de publicação deste artigo, com um eventual acordo entre EUA e Irão no horizonte, o barril situava-se em torno dos 71,81 dólares.

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