Um candidato improvável: Toyota iQ Gazoo Racing Tuned By MN
Tente imaginar o alvo menos provável do mundo para uma preparação. Não, ainda mais improvável: algo ainda mais disparatado do que um Merc G-Wagen AMG. É aqui que entra a versão afinada de fábrica do iQ - o minúsculo citadino premium, em forma de cubo, pensado para quem não tem o mínimo interesse em conduzir.
E, mesmo assim, estou a achar surpreendentemente difícil dar-lhe a tareia que se esperaria.
Quem está por trás: Gazoo Racing, Morizo e Hiromu Naruse
O iQ Gazoo Racing Tuned By MN tem uma história curiosa. A Gazoo Racing é a equipa que levou o Lexus LF-A às 24 Horas de Nürburgring. Dois dos pilotos eram figuras pouco misteriosas chamadas Morizo e Hiromu Naruse, o piloto-chefe de testes da Toyota que, ao que tudo indica, é um autêntico fanático por turbos.
O M e o N do nome absurdamente comprido do carro vêm daí. Morizo é, na realidade, Akio Toyoda - outro verdadeiro apaixonado por gasolina - nos momentos em que não está no papel de CEO, de fato sóbrio, daquela que é a maior empresa automóvel do mundo. Diz que usa o pseudónimo porque assim fica livre para ser desagradável em relação aos modelos mais aborrecidos da Toyota no blogue da Gazoo.
A própria Gazoo é um enorme site japonês de comunidade de proprietários Toyota. "Gazoo Racing", explicou-me Toyoda com sinceridade, embora de forma ligeiramente oblíqua, "não é uma equipa de competição. O objectivo é disponibilizar um fórum onde as pessoas possam falar sobre carros e partilhar a paixão. Trata-se de aumentar o número de pessoas que gostam de carros."
O que muda (e o que não): motor e comportamento em estrada
Até agora, o iQ GR MN é pouco mais do que um tema de conversa. A produção limita-se a 100 unidades, é exclusivo do Japão e já está tudo vendido. Mais estranho ainda: o elemento de que um carro de performance precisa - performance - foi simplesmente ignorado. Um kit de carroçaria não torna ninguém mais rápido. O iQ GR MN mantém uma mecânica iQ completamente normal.
O motor de 1,3 litros parece preguiçoso, prejudicado por uma caixa com relações tão absurdamente longas que se chega à velocidade máxima em quarta, ficando ainda duas por usar.
Agora vem a parte divertida: as jantes não são maiores do que as de série, mas montam pneus mais aderentes e, com novas molas, amortecedores e casquilhos, de repente temos um carro que adora atirar-se para dentro das curvas. Há pouca inclinação, muita prontidão e um bom nível de sensibilidade. Tudo isto torna-se ainda mais cómico por ser tão improvável.
Se travar enquanto vira, a distância entre eixos minúscula faz com que a traseira comece a mexer-se antes de o ESP intervir. E, curiosamente, o conforto, embora com uma frequência de oscilações mais curta do que o habitual, não se sente assim tão mau. A piada está em puxar por ele sem piedade.
Diverti-me ainda mais num protótipo de 1,0 litro que me deixaram experimentar, que sobrou por lá, porque o motor mais pequeno é mais leve, mais doce e mais disposto a levar carga.
O que falta: um turbo
O responsável da Toyota no Reino Unido, também ele um entusiasta, disse-me para afirmar que isto precisa de um turbo. Precisa. E pode muito bem vir a tê-lo. Morizo já fez um Yaris turbo (experi)mental.
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