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Stellantis: Jean-Philippe Imparato apresenta no IAA Mobility 2025 duas propostas de CO₂ e carros até 15 mil euros

Carro elétrico branco moderno estacionado em espaço interior com janelas amplas e luz natural.

No último Salão de Munique (IAA Mobility 2025), que abriu portas a 8 de setembro, Jean-Philippe Imparato, responsável da Stellantis na Europa, deu a conhecer duas ideias pensadas para cortar as emissões do setor sem colocar todo o peso da estratégia apenas na venda de automóveis 100% elétricos.

Além de contribuírem para baixar as emissões, estas duas propostas poderiam também acelerar a renovação do parque automóvel em circulação, cuja idade média continua a aumentar - não só em Portugal (já ultrapassou os 14 anos), como no conjunto da Europa (a média já vai em 12 anos).

Porque defende a Stellantis que renovar o parque automóvel é urgente

Imparato insistiu que refrescar a frota existente é decisivo e que concentrar esforços apenas nos elétricos não chega. Mesmo que a quota de mercado dos elétricos cresça até aos 30% - atualmente é de 15,6% na União Europeia e 17,4% em todo o continente - isso corresponderia a apenas 4,5 milhões de carros por ano, face aos mais de 250 milhões de veículos que circulam hoje na Europa.

Com um parque automóvel com uma idade média superior a 12 anos (150 milhões de carros têm mais de uma década), o dirigente da Stellantis avisou que, mantendo-se este ritmo de transição, “a frota continuaria a envelhecer um mês por ano”, o que reforça a necessidade de acelerar a renovação.

Créditos de CO₂ ligados ao abate e substituição

Uma das propostas avançadas passa por atribuir créditos de CO₂ aos construtores, associados a um programa de incentivo ao abate. Na prática, seria um mecanismo de compensação: ao retirar de circulação um automóvel antigo e trocá-lo por um carro novo ou por um usado com menos de três anos, o construtor receberia um crédito de 70 g CO₂/km.

Já na secção dedicada à renovação da frota, Imparato sustentou que, ao estimular a substituição de veículos velhos por carros novos ou quase novos e ao conceder créditos de carbono como contrapartida, “desta forma, os fabricantes poderiam atingir as suas metas de CO₂ sem a necessidade de incorrer em coimas ou depender de subsídios estatais”.

Nova homologação inspirada nos kei cars para carros abaixo de 15 mil euros

A segunda proposta aponta para a criação de uma nova categoria e homologação de veículos compactos para o mercado europeu, com menos de 3,5 m de comprimento - à semelhança dos kei cars japoneses -, prevendo regras de segurança menos exigentes para permitir preços de venda ao público inferiores a 15 mil euros.

O objetivo seria abrir espaço a automóveis a gasolina ou elétricos por menos de 15 mil euros - um patamar praticamente inexistente no atual contexto do mercado europeu. A inspiração vem tanto dos kei cars (com limites de dimensões, motor e potência) como do modelo do “Carro Popular” brasileiro (motores até 1000 cm³ e 90 cv).

Os dados referidos por Imparato ilustram a mudança do mercado: em 2018 existiam 49 modelos à venda na Europa até 15 mil euros e, atualmente, quase não há nenhum. Como sintetizou: “(Em 2018) venderam-se um milhão de carros na Europa por menos de 15 mil euros, hoje estamos em 90 mil unidades”.

Segundo o responsável, esta nova categoria poderia dar novo fôlego ao segmento dos citadinos, que tem vindo a perder terreno: em 2024, as vendas caíram 22%, totalizando 545 mil unidades vendidas (Fonte: Dataforce).

Imparato assegurou ainda que ambas as propostas já foram apresentadas à ACEA (Associação Europeia de Construtores Automóveis), embora as reações tenham sido mistas. Recorde-se que, em Bruxelas, está marcada uma reunião com a União Europeia a 12 de setembro, na sequência do Diálogo Estratégico sobre o futuro do setor.

Ontem, Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, tocou também no tema no seu discurso do Estado da União Europeia, ao propor a Iniciativa para Automóveis Pequenos e Acessíveis. Numa tradução livre, em português: Programa para Automóveis Pequenos e Acessíveis. Vai ao encontro do que defende a Stellantis e também o Grupo Renault:


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