Saltar para o conteúdo

China quer limitar a aceleração dos carros eléctricos a 5 segundos dos 0-100 km/h

Carro elétrico vermelho estacionado num salão de vendas moderno com duas pessoas ao fundo.

A estratégia do governo chinês - a mesma que ajudou a tornar os carros eléctricos chineses tão competitivos - está agora a tentar baixar a temperatura do sector e evitar que os seus construtores ultrapassem certos limites. Entre as medidas em discussão, surge a possibilidade de restringir a aceleração dos automóveis.

Política do governo chinês e a competitividade dos carros eléctricos chineses

Os fabricantes europeus olham com preocupação para a ascensão dos modelos chineses, mas Pequim também começou a mostrar sinais de inquietação. Depois de conceder apoios financeiros significativos para acelerar a inovação e reforçar a competitividade, várias marcas entraram numa verdadeira guerra de preços - uma deriva que as autoridades chinesas encaram claramente com maus olhos.

Paralelamente, a linha política de Xi Jinping aponta para uma abordagem mais exigente e de longo prazo, procurando também proteger a imagem dos seus automóveis. Nesse contexto, pretende-se impedir que as marcas usem expressões como “condução autónoma” ou “condução inteligente” quando, na prática, se trata apenas de sistemas de assistência à condução.

Um tecto de 5 segundos no 0–100 km/h

As medidas mais recentes, porém, não se ficam pela comunicação. O projecto mais recente coloca em cima da mesa um limite de 5 segundos no exercício dos 0–100 km/h, apresentado como uma forma de reforçar a segurança rodoviária.

A intenção seria fazer com que os carros comercializados no país não consigam acelerar dos 0 aos 100 km/h em menos de 5 segundos. Esta exigência é referida no mais recente projecto de normas nacionais, intitulado “Especificações técnicas para a segurança dos veículos motorizados que circulam nas estradas”, publicado pelo Ministério da Segurança Pública da China a 10 de novembro.

Leia também: BYD, 5 anos antes da revolução automóvel

Carros chineses limitados apenas no arranque?

Ainda não é evidente se o Ministério da Segurança Pública pretende impor este limite em todas as situações de condução, ou se a restrição se aplica apenas aos primeiros instantes após o arranque. Tudo indica que o foco do documento está, sobretudo, em acelerações descontroladas imediatamente após a energização do veículo, causadas por condutores que não avaliaram devidamente o nível de desempenho do automóvel.

Com a generalização dos motores eléctricos, tornou-se comum ver acelerações 0–100 km/h abaixo dos 5 segundos - algo que, nos motores de combustão, exigia níveis de potência elevados e ficava tipicamente reservado a carros desportivos.

“O objectivo de operar os veículos num estado predefinido com desempenho de aceleração reduzido imediatamente após o arranque é incentivar os condutores a realizarem conscientemente determinadas acções quando utilizam modos de aceleração elevados, melhorando assim a sua preparação para a condução”, explica a nota, citada pelo meio especializado no sector automóvel chinês CnEVPost.

Mudança de prioridades no plano quinquenal 2026-2030

Entretanto, a indústria automóvel deixou de estar no topo das prioridades governamentais. No futuro plano quinquenal de Pequim (2026-2030), o objectivo passa por canalizar investimento para outros sectores considerados estratégicos para o país, como as energias (incluindo o nuclear e a biofabricação), a inteligência artificial e os supercomputadores (com o recurso ao quântico).

Os apoios ao automóvel deverão continuar, mas numa lógica mais provincial e orientada para o consumidor, com o propósito de incentivar a mudança para veículos eléctricos - agora sobretudo fora das grandes metrópoles, que já fizeram a transição para a mobilidade eléctrica em larga escala.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário