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Armada Argentina e submarinos usados: vantagens e desvantagens da incorporação

Quatro oficiais navais em uniforme azul consultam mapas junto a um submarino atracado no porto ao pôr do sol.
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Ao longo dos últimos meses - e já há alguns anos - têm vindo a ser analisadas diferentes alternativas para repor a capacidade submarina da Armada Argentina. Embora as propostas mais sonantes passem pela compra de submarinos novos a construtores europeus e asiáticos, existe outra via que também surge nas avaliações das autoridades: a aquisição de unidades em segunda mão que várias marinhas pelo mundo estão a retirar de serviço.

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Opções em cima da mesa para recuperar a capacidade submarina da Armada Argentina

A discussão não é, por si só, recente. Na anterior tutela ministerial, quando a relação diplomática com o Brasil seguia um rumo normal de aproximação e cooperação, chegaram a ser consideradas hipóteses como a dos submarinos Tupi da Marinha do Brasil. Estas unidades já estão a ser desactivadas para dar lugar à classe Riachuelo, que, por sua vez, assenta no projecto francês Scorpène da Naval Group.

Ainda mais atrás, e tendo em conta os níveis de cooperação alcançados com a Noruega - visíveis na compra das aeronaves de patrulha marítima P-3C/N Orion - foi igualmente ponderada a opção pelos submarinos Ula da Real Marinha da Noruega.

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Submarinos em segunda mão: origens possíveis

Ainda que existisse interesse e apesar de estas plataformas terem sido alvo de modernizações e extensões de vida útil, a realidade europeia levou o país nórdico a não equacionar a transferência dos Ula para terceiros. O objectivo foi evitar a perda de capacidades de vigilância no Atlântico Norte e no Árctico. Em paralelo, a Noruega avança actualmente - no âmbito da sua parceria com a Alemanha - com a construção da nova classe Tipo 212CD, que deverá substituir os Ula no final desta década e no início da próxima.

Outras alternativas aparecem no Mediterrâneo. Mais concretamente, na classe Sauro da Marina Militare italiana: submarinos com décadas de serviço que se aproximam do fim da vida operacional, ao mesmo tempo que os estaleiros italianos, liderados pela Fincantieri, já iniciaram a construção do sucessor, materializado na classe Tipo 212 NFS, com entregas previstas entre 2029 e 2032.

Não deve igualmente ser ignorada outra hipótese: os submarinos Tipo 209 da Armada da Turquia, cujos primeiros exemplares estão a ser retirados do serviço, enquanto os estaleiros turcos - tal como vários congéneres europeus - avançam com a nova classe Tipo 214, resultante da cooperação com a alemã TKMS.

Vantagens e desvantagens dos submarinos usados

Perante este quadro, que benefícios e riscos poderia ter para a Armada Argentina a incorporação de submarinos usados?

Ao analisar as possibilidades, importa sublinhar o carácter de «dois gumes» desta opção para a Armada Argentina. Por um lado, poderia permitir recuperar, a curto prazo, o Comando da Força de Submarinos, garantindo pelo menos uma unidade operacional para treino e qualificação do pessoal. Por outro, o horizonte de vida útil remanescente, os custos de sustentação e a variável política convergem para que diversas vozes encarem esta via com reserva.

O tema é relevante porque, caso se avance por esta solução, ela precisa de estar integrada num plano mais amplo e robusto. Esse plano deverá incluir e concretizar a compra de uma nova plataforma submarina, de construção nova, com perfil oceânico e capacidade de dissuasão, capaz de assegurar a operação do País nas próximas décadas - e não apenas nos anos imediatos.

No contexto actual de pequena política, também não pode ser ignorada uma leitura frequente a partir da condução do Estado, alinhada com uma máxima recorrente na política nacional: decisões transitórias ou de emergência acabam por se tornar duradouras e definitivas… Os exemplos são muitos e, enquanto lê estas linhas, é provável que mais do que um lhe ocorra.

Assim, a compra de submarinos em segunda mão - com poucos anos de vida útil pela frente e destinados sobretudo a treino - volta a surgir como uma escolha de «dois gumes» se não vier acompanhada de uma decisão política clara para garantir o seu indispensável substituto: uma nova geração de submarinos de ataque de propulsão convencional.

Por fim, à medida que os meses passam e a decisão oficial continua a arrastar-se, e considerando que estamos perante uma opção que, a concretizar-se, representaria a mais importante aposta em política de defesa dos últimos 40 anos, impõe-se ainda outra máxima da política nacional: adiar para que outro assuma o dossier - e que a avaliação e compra de novos submarinos para a Armada Argentina continue a ficar esquecida nas secretarias ministeriais.

Fotografias utilizadas a título ilustrativo.


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