Tornou-se cada vez mais frequente que os grandes grupos automóveis dominem as conversas na redação por motivos que pouco ou nada têm a ver com lançamentos ou números de vendas. Esta semana seguiu o mesmo padrão. O tema que concentrou atenções foi a crise profunda que coloca em risco o futuro do Grupo Volkswagen e, por arrasto, uma fatia relevante da indústria automóvel europeia.
Foi exatamente a partir desse contexto que nasceu mais um episódio do Auto Rádio, o podcast da Razão Automóvel com o apoio do PiscaPisca.pt. Ao longo do episódio, debruçamo-nos sobre o caminho de reestruturação que o Grupo Volkswagen terá de enfrentar, o que está em jogo para o segundo maior construtor automóvel do mundo e os motivos que conduziram ao ponto de viragem atual.
Ainda assim, a conversa não se ficou pela Volkswagen. Abordámos também as dificuldades que se colocam à indústria automóvel europeia - entre outros temas. Ora vejam:
A crise do Grupo Volkswagen
A reorganização em curso no Grupo Volkswagen é, muito provavelmente, um dos sinais mais claros de que a indústria automóvel europeia entrou num novo ciclo. O plano em cima da mesa inclui o fecho de unidades fabris, o corte de largas dezenas de milhares de postos de trabalho e uma redução expressiva da oferta de modelos.
A dúvida central é perceber se estas decisões vão mesmo ao cerne do problema ou se servem apenas para ganhar tempo antes de uma mudança inevitável. No episódio, procuramos precisamente responder a essa questão. Até porque a crise da Volkswagen não surgiu do nada: para compreender o presente é necessário recuar ao Dieselgate, em 2015, e seguir a cadeia de acontecimentos que, passo a passo, foi minando a competitividade do maior construtor europeu.
Apesar dos vários cenários que têm sido apontados, não existe, para já, qualquer confirmação oficial. Ainda assim, tudo indica que a reestruturação será tudo menos consensual, com a administração a aproximar-se de um confronto direto com os sindicatos.
Importa também notar que a situação do Grupo Volkswagen não se explica apenas por fatores internos. A escalada dos construtores chineses e as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos foram alguns dos elementos externos que ajudaram a agravar a crise.
E Portugal?
Naturalmente, também olhámos para o caso português. Por um lado, está a Volkswagen Autoeuropa que, apesar do contexto exigente vivido pelo gigante alemão, poderá atravessar esta fase com relativa serenidade e até tirar partido de uma eventual transferência de produção a partir da Alemanha, beneficiando de custos de produção mais competitivos e da elevada eficiência da fábrica de Palmela.
Por outro lado, a indústria nacional no seu conjunto - com um peso importante na produção de componentes para automóveis - dificilmente ficará imune às ondas de choque associadas à crise na Volkswagen. Pode ouvir mais sobre este assunto no episódio do Auto Rádio ou consultar mais pormenores no artigo abaixo:
A crise no Grupo Volkswagen acabou também por refletir o papel da União Europeia, razão pela qual esse tema entrou na análise.
As metas ambientais, a velocidade a que a regulamentação muda e a complexidade de adaptar a indústria a um mercado cada vez mais competitivo levantam uma pergunta desconfortável: até que ponto alguns dos maiores entraves à indústria automóvel europeia não estarão dentro da própria Europa? Será que encerrar fábricas e cortar custos é suficiente para mudar o rumo?
Houve ainda espaço para discutir o futuro da italiana Ducati no seio do Grupo Volkswagen e o papel cada vez mais determinante da Audi na Fórmula 1.
Encontro marcado no Auto Rádio para a próxima semana
Razões não faltam, por isso, para ver/ouvir o episódio mais recente do Auto Rádio, que regressa na próxima semana às plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.
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