Após vários anos a centrar a sua oferta em híbridos ligeiros, híbridos com carregamento externo e modelos 100% elétricos, a Volkswagen decidiu finalmente avançar para o território dos híbridos convencionais - uma solução em que marcas como a Toyota têm décadas de vantagem.
Com os consumos e as emissões oficiais do novo sistema Hybrid já divulgados, impõe-se a questão: até que ponto conseguiu a Volkswagen aproximar-se das referências desta classe?
Os dados WLTP conhecidos agora indicam que a aproximação aconteceu, embora a marca alemã ainda não consiga reclamar o primeiro lugar no capítulo da eficiência.
Emissões e consumos: como fica face à concorrência?
No Golf Hybrid, a Volkswagen anuncia consumos entre 4,6 e 5,1 l/100 km, com emissões de 104 a 117 g/km de CO₂. Já o T-Roc Hybrid aponta para 5,0 a 5,6 l/100 km e 115 a 127 g/km.
Na prática, estes números colocam os novos híbridos da Volkswagen muito perto dos melhores do segmento, ainda que a Toyota continue a manter uma margem ligeira a seu favor.
Em suma, os valores mostram que a Volkswagen conseguiu encurtar distância para os construtores com maior historial nesta tecnologia. Não são os híbridos mais eficientes do mercado, mas também não ficam muito atrás.
O híbrido que faltava
Para entrar nos híbridos convencionais - capazes de operar sem necessidade de carregamentos externos - a Volkswagen optou por um caminho menos habitual. Ao contrário de alguns concorrentes, não criou um motor atmosférico dedicado apenas para esta função.
O ponto de partida é o já conhecido 1.5 TSI evo2, que trabalha em conjunto com dois motores elétricos e com uma bateria de 1,6 kWh montada sob o piso traseiro. No total, a potência combinada chega aos 170 cv (125 kW) e o binário máximo fixa-se nos 309 Nm.
Este sistema híbrido opera em três modos diferentes: elétrico, híbrido em série e híbrido em paralelo.
No modo elétrico, é o motor elétrico que move o automóvel sozinho, sobretudo nos arranques e a velocidades baixas. Em série, o motor a gasolina entra para gerar eletricidade, alimentando a componente elétrica.
Já em paralelo, o motor térmico e o(s) motor(es) elétrico(s) trabalham em conjunto, principalmente quando se circula a ritmos mais elevados. De acordo com a marca, em contexto urbano será possível andar muitas vezes em modo elétrico, usando apenas a energia recuperada nas desacelerações ou aquela que é produzida pelo próprio motor térmico.
Comparando com o atual Golf 1.5 eTSI de 150 cv, a Volkswagen aponta para reduções de 10% a 15% nos consumos e nas emissões, podendo chegar aos 35% em utilização urbana.
Mais do que consumos
Para muitos condutores, variações de apenas algumas décimas de litro dificilmente terão impacto decisivo no dia a dia. Para a Volkswagen, no entanto, cada grama de CO₂ faz diferença.
As normas europeias, cada vez mais apertadas, obrigam os construtores a baixar as emissões médias das suas gamas, sob pena de penalizações. Nesse enquadramento, este novo sistema híbrido surge também como uma ferramenta para ajudar a Volkswagen a cumprir metas de emissões, que têm sido particularmente difíceis de alcançar.
Quanto custa?
As pré-encomendas já começaram na Alemanha, e os preços comunicados dizem respeito apenas a esse mercado.
O Golf Hybrid pode ser encomendado desde 41 400 euros, na versão R-Line, enquanto o T-Roc Hybrid Style arranca nos 44 470 euros. Para já, ainda não foram anunciados os valores nem a data de lançamento em Portugal.
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