“James Bond é um instrumento contundente empunhado por um departamento governamental”, escreveu o seu criador, Ian Fleming. “É silencioso, duro, implacável, sarcástico e fatalista. Gosta de jogo, de golfe e de automóveis muito rápidos.”
As coordenadas que Fleming definiu para a personagem foram respeitadas - e reinterpretadas com generosidade - ao longo dos 24 filmes em que o espião fictício mais mediático do planeta apareceu nos últimos 58 anos.
O regresso de 007 e a pergunta inevitável sobre carros
Agora, o capítulo 25 está prestes a chegar. 007 - Sem Tempo Para Morrer estreia nos cinemas esta semana e dá a Daniel Craig a oportunidade de se despedir de 007, puxando pela componente emocional como nunca, enquanto a equipa de duplos e os responsáveis pela produção voltam a reinventar a própria ideia de perseguição automóvel. Diz-se, inclusive, que Sem Tempo Para Morrer inclui a sequência mais brutal alguma vez vista num filme de Bond. E isso fez-nos pensar.
Seis actores já deram vida a 007 no grande ecrã - e todos eles tiveram co-estrelas de quatro rodas escolhidas a dedo.
Para muitos de nós, ver um filme do Bond na televisão durante a infância foi precisamente o que acendeu a obsessão pelos automóveis. A gigantesca base de fãs do 007 discute sem fim quem foi o melhor Bond; mas qual foi o Bond com o carro mais fixe? Escolhendo um por actor, a Top Gear reuniu os veículos-chave no mesmo ponto do continuum espaço-tempo para revisitar a sua história e fazer um teste quase científico, mas sobretudo subjectivo. Por fim, o deslumbrante DB10 de Craig entra em cena...
- Fotografia: Mark Riccioni e John Wycherley
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Aston Martin DB10 em Spectre: um Aston feito à medida
Em Spectre, Bond passa ao feito por medida. Esqueça as habituais alterações do Q: desta vez, o 007 acaba ao volante de um automóvel desenhado de raiz, o DB10. Inicialmente destinado ao 009, Bond apropria-se dele, usa-o para invadir uma reunião de emergência da liga dos vilões mais sinistros do mundo, mete-se numa perseguição impressionante pelas ruas de Roma, dispara um lança-chamas e, no fim, estaciona o Aston a alta velocidade no rio Tibre - já depois de se ter lançado de pára-quedas para se salvar. Nada mau para um “test drive”.
Para Spectre foram construídos dez DB10: três carros “herói” e sete unidades de acrobacias, cada um preparado de acordo com a função que teria na sequência de perseguição. O exemplar que vê aqui é particularmente malcomportado no som e generoso na tendência para deslizar, reforçado com uma gaiola de segurança e um travão de mão hidráulico a sair do túnel central.
Na prática, por baixo é um Vantage de 2006–18, e mexe-se com a mesma urgência de um Vantage GT4 de competição que, uma vez, conduzi com força no Paul Ricard - só que com menos aderência. É óbvio que viveu dias duros, mas também transmite uma sensação, digamos, de ser “à prova de bala”. E aqui entra Marek Reichman, director criativo da Aston Martin, para explicar como tudo aconteceu.
Passámos de um esboço a 10 carros funcionais em seis meses
“Estávamos a tentar fazer o que tínhamos feito com o DBS. Tínhamos o DB11 pronto para mostrar [à equipa do Bond], porque ainda não o tínhamos lançado. Eu estava a explicar como era uma continuação do DBS em Casino Royale, e o Sam [Mendes, realizador] achou maravilhoso e a Barbara [Broccoli, produtora] disse ‘estes tipos fazem sempre grandes carros’. Mas eu via na cara do Sam que ele não estava 100 por cento convencido, que queria algo diferente.
“E, quando estávamos a sair, ele reparou num esboço na parede, um carro que eu descrevi como mais caçador, mais agressivo, talvez um pouco hedonista. Os olhos dele brilharam e ele disse: ‘Parece o Bond que eu quero criar.’ Mas eu respondi: ‘Sim, mas ele não existe, e vocês precisam dos carros em Setembro e agora é Abril, por isso não há grande hipótese.’ E ele disse: ‘Porquê não?’ Então fizemo-lo - passámos de um esboço a 10 carros funcionais em seis meses. O Sam queria um grafismo muito simples, por isso a refrigeração foi tratada como uma matriz de pontos no capot. Eu disse-lhe: ‘As pessoas vão olhar para este carro e, se não libertar ar e não aspirar ar, vão dizer que não é real, que é um carro eléctrico, que não funciona.’ Mas ele sabia o que queria, e foi brilhante trabalhar com ele. E é, definitivamente, real.”
Dispositivos: 7/10
Velocidade: 9/10
Capacidade de tracção: 7/10
Derrapagens: 9/10
Acrobacias: 8/10
Estatuto de estrela: 7/10
Total: 47
E pronto, é isto. E o DB5 foge com a vitória por um único ponto. Relembre os melhores carros de sempre do Bond através destes links: clique aqui para o DB5, aqui para o DBS, aqui para o Lotus Esprit, aqui para o Aston V8 e aqui para o BMW Z8.
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