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Caças Saab F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira atingem Capacidade Operacional Plena (FOC)

Caça militar brasileiro camuflado em pista de aeroporto durante o dia com céu limpo ao fundo.

Após as certificações mais recentes que confirmaram a sua entrada plena ao serviço, os caças Saab F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) alcançaram oficialmente a Capacidade Operacional Plena (FOC). A validação, apontada para o final de 2025, assinala a maturidade de um sistema de armas que já tem os seus principais subsistemas em operação e que foi submetido a ensaios com resultados considerados satisfatórios.

Capacidade Operacional Plena (FOC) do Saab F-39E Gripen

A FOC assenta em três marcos essenciais desenvolvidos ao longo do ano: a certificação do reabastecimento em voo com as aeronaves Embraer KC-390 Millennium, o primeiro disparo real do míssil ar-ar MBDA Meteor e o primeiro exercício de tiro aéreo com canhão. Estes testes, conduzidos de forma coordenada entre a Embraer, a Saab e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), confirmam o patamar de maturidade tecnológica atingido pelo sistema Gripen e a sua integração completa no espectro de defesa aérea do Brasil.

Os três marcos: KC-390, MBDA Meteor e canhão BK-27

1) Reabastecimento em voo com o Embraer KC-390 Millennium

O primeiro avanço foi alcançado durante a Operação Samaúma, realizada em Gavião Peixoto (SP), quando foi certificada a capacidade de reabastecimento em voo entre o Gripen E e o KC-390. Este ensaio aumentou de forma decisiva a autonomia dos F-39, permitindo-lhes cobrir todo o território nacional e sustentar missões de longo alcance em áreas de interesse estratégico. A verificação de compatibilidade entre as duas plataformas constituiu um passo técnico determinante e confirmou a aptidão do Gripen para actuar em missões de Patrulha Aérea de Combate com apoio logístico integral assegurado pela frota de transporte.

2) Primeiro lançamento real do míssil ar-ar MBDA Meteor

Em paralelo, o exercício BVR-X, conduzido na Base Aérea de Natal, serviu para validar o segundo marco: o primeiro lançamento real do míssil ar-ar Meteor. Considerado um dos sistemas mais avançados do mundo no combate para lá do alcance visual (BVR), este míssil reforça a dissuasão ao conjugar um motor ramjet de empuxo variável com ligação de dados bidireccional. A sua integração no Gripen E eleva a FAB a um novo patamar de capacidade estratégica regional, ao conferir ao país um vector com potencial para neutralizar ameaças a mais de 150 quilómetros de distância.

3) Exercício de tiro aéreo com o canhão Mauser BK-27 de 27 mm

O terceiro marco concretizou-se a 8 de Dezembro, na Base Aérea de Santa Cruz, quando o F-39E realizou o seu primeiro exercício de tiro aéreo com o canhão Mauser BK-27 de 27 mm. Esta etapa avaliou a precisão do armamento, o tempo de resposta perante alertas de defesa e a eficácia do sistema em cenários realistas. O teste, conduzido pelo Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), confirmou a fiabilidade do Gripen e a consolidação doutrinária para o seu emprego operacional. Adicionalmente, destacou o envolvimento da indústria nacional, sublinhando-se o contributo da Akaer no desenvolvimento estrutural do compartimento do canhão.

A conjugação destes três marcos - reabastecimento em voo, lançamento do Meteor e tiro com canhão - confere ao sistema F-39 Gripen um novo nível de autonomia tecnológica e de capacidade operacional. Em conjunto, a Força Aérea, a Embraer e a Saab conseguiram integrar por completo um sistema moderno, interoperável e suportado por uma transferência de tecnologia alargada, reforçando a Base Industrial de Defesa (BID) do país.

Programa F-X2 e impacto na Força Aérea Brasileira

Apesar do progresso, o programa F-X2 mantém um horizonte de trabalho prolongado. Segundo o planeamento revisto, a entrega das 36 aeronaves Gripen E/F encomendadas prolongar-se-á até 2032, num calendário que admite variações anuais no número de unidades recebidas. Embora estes atrasos contrariem os prazos inicialmente previstos, o processo continua a acrescentar capacidades estratégicas, conhecimento industrial e soberania tecnológica à FAB.

Com a capacidade operacional plena do Gripen E, a Força Aérea Brasileira afirma-se como uma das mais modernas da região. Dotado de radar AESA, sistemas de guerra electrónica de última geração e mísseis Meteor, o F-39 torna-se a peça central da defesa aérea do país. Nesse sentido, o Tenente-Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira Lopes Neto, Comandante de Alistamento, declarou: “O Gripen reúne todas as condições para cumprir o Alerta de Defesa Aérea do Brasil, confirmando que o país dispõe hoje de um vector moderno, preciso e plenamente integrado nos sistemas de defesa aeroespacial”.

Créditos das imagens: Força Aérea Brasileira.

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