A Mini, que raramente perde a oportunidade de se autoelogiar, desta vez anda estranhamente calada - quase secreta - sobre o novo Cooper S Works, o primeiro Mini recente a receber o tratamento John Cooper Works com garantia oficial. Basta olhar para os números para perceber o motivo.
Números e mecânica: mais difícil de “espremer”
Se o antigo Mini afinado pela JCW podia, sem grande dramatismo, ser puxado para bem mais de 200bhp, este Works fica-se por uns modestos 189bhp. O entrave está no motor novo, muito menos dócil para preparações do que o anterior com compressor: segundo os engenheiros, aquele turbo twin-scroll é um osso duro de roer quando se tenta extrair mais potência.
Ainda assim, com ECU revista e com um novo escape desportivo e filtro de ar, o Works soma apenas mais 17bhp face ao Cooper S de série. E tudo isto por um acréscimo de £1,500. Em teoria, não parece um grande negócio.
Na estrada: o Mini Cooper S Works rápido e irreverente
Só que a teoria não conta a história toda. Em utilização real, o chefe da JCW, Mike Cooper, defende que o Works pode muito bem ser o Mini mais rápido de sempre.
E, na verdade, pode mesmo ter razão. Este Works é mesmo rápido. E, pelo menos em piso molhado, também é claramente atrevido. Fazer pouco menos de sete segundos dos 0 aos 100 km/h (62mph) não traduz completamente o vigor disponível: o binário máximo em overboost, 199lb ft, surge logo a partir das 1,750rpm, o que torna demasiado fácil fazer patinar as rodas da frente e ver o Mini a serpentear alegremente pelo asfalto.
A não ser que lhe apeteça começar uma “discoteca da luz do controlo de tracção” no habitáculo, vai precisar de um pé direito delicado. Mesmo com comandos muito suaves, há uma dose viva de torque steer a passar pelo volante, reforçada pela direcção directa do Mini - que ainda fica mais pesada quando se carrega no pequeno botão Sport (colocado, para meu gosto, demasiado perto do interruptor de “controlo de tracção desligado”).
Um JCW com pose: detalhes que não encaixam
Apesar disso, o Works continua a parecer um pouco mais pose do que substância. Talvez seja o sistema stop-start montado no carro de teste. Por muito meritório que seja o corte do motor, cai mal num automóvel que pede para ir a subir de rotação no semáforo, nem que seja só para ouvir aquele estalar rouco na desaceleração.
Ou então é a iluminação ambiente, absurdamente pirosona. A sério, os engenheiros da JCW não podiam ter feito nada quanto a isso? Qualquer coisa envolvendo um martelo grande, talvez? Seja o que for, o JCW não consegue livrar-se totalmente da ideia de que é, antes de mais, uma afirmação de estilo - e só depois um carro para quem gosta mesmo de conduzir.
Há, no entanto, uma saída para isto. Mais para o fim do ano chega o verdadeiro JCW Cooper S “despido”, mais leve e com mais potência. Conte com algo a rondar os 210bhp - nada mau para um motor dito impossível de afinar. Esse, sim, deverá ser o Mini mais rápido de sempre. E pode apostar que a Mini não vai fazer segredo nenhum quando ele aparecer.
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