A Honda prepara-se para apresentar na Europa, até ao final deste ano, três SUV inéditos. No lote estão o novo Honda ZR-V, que se estreia no continente, o CR-V renovado - com um aumento significativo de dimensões - e ainda o e:Ny1, uma proposta totalmente elétrica.
O primeiro que conseguimos ver ao vivo e conduzir foi o ZR-V, num ensaio em Barcelona (Espanha). Ainda assim, de forma algo inesperada, será o último destes SUV a chegar ao mercado nacional: a chegada a Portugal está prevista apenas para o final do ano, em novembro ou dezembro.
O nosso primeiro contacto em vídeo vai ficar disponível nos próximos dias. Até lá, reunimos aqui toda a informação essencial para ficares a conhecer o Honda ZR-V.
O que é?
Colocado entre o HR-V e o CR-V, o ZR-V aparece com objetivos bem claros, ao entrar num dos segmentos com maior volume de vendas na Europa. Trata-se de um SUV do segmento C e, ao mesmo tempo, funciona como uma espécie de alternativa/complemento ao Civic, com o qual partilha tanto a plataforma como a tecnologia híbrida.
Só há versão híbrida
Começamos precisamente pela mecânica híbrida, porque é um dos argumentos mais fortes deste SUV completamente novo. Aliás, desde o Honda e que a marca japonesa não lançava um modelo totalmente inédito que não fosse a substituição direta de outro já existente.
Tal como já referimos, o Honda ZR-V utiliza o mesmo sistema híbrido do Civic. A base é um motor a gasolina 2.0 litros (ciclo Atkinson), de quatro cilindros e aspiração natural, com 143 cv e 186 Nm. A isto somam-se dois motores elétricos; um deles é o responsável pela tração e debita 184 cv de potência máxima e 315 Nm de binário máximo.
Com estes valores, o Honda ZR-V cumpre os 0 aos 100 km/h em 7,9s e tem a velocidade máxima limitada a 173 km/h. No campo dos consumos, a marca anuncia 5,8 l/100 km em ciclo combinado, com emissões de CO2 de apenas 131 g/km.
Como funciona o sistema híbrido?
No ZR-V, a solução híbrida trabalha com três modos: EV Drive, Hybrid Drive e Engine Drive. Importa notar que, em nenhum destes modos, o motor elétrico e o motor a gasolina são responsáveis pela tração em simultâneo.
É a própria gestão do sistema que decide, a cada momento, qual o modo mais indicado. Em ambiente urbano, é possível circular grande parte do tempo em modo 100% elétrico, desde que exista carga disponível na bateria (capacidade de 1,05 kWh) e que a velocidade se mantenha relativamente contida.
Nessas condições, é o motor elétrico que faz avançar o Honda ZR-V, num comportamento muito próximo do de um veículo totalmente elétrico.
Quando o ritmo aumenta e se pede mais desempenho, o motor elétrico precisa de energia adicional. É aí que o motor a gasolina entra em ação, funcionando como gerador: além de alimentar o motor elétrico, consegue também recarregar a bateria.
Já em autoestrada - ou noutras situações de velocidade mais alta e estável - o sistema seleciona o modo Engine Drive, transferindo a responsabilidade da tração para o motor a gasolina.
Toda esta lógica é coordenada por uma transmissão de relação fixa, que se revelou surpreendentemente suave e agradável no primeiro contacto ao volante em Barcelona. Mas desse tema (e também dos consumos) falaremos daqui a alguns dias.
Imagem pouco agressiva
Ao contrário de uma tendência cada vez mais comum na indústria, a Honda não seguiu o caminho das superfícies muito angulosas e do estilo mais agressivo. Em alternativa, preferiu uma linguagem com volumes mais fluidos e arredondados.
Ainda assim, basta observar a frente para perceber que o ZR-V marca uma diferença face ao que a marca tem apresentado: a grelha é relativamente compacta e os faróis adoptam um desenho em “L”.
Atrás, sobressaem as óticas horizontais e um para-choques de aspeto robusto, mantendo também a mesma abordagem de linhas arredondadas que se vê na dianteira.
Visto de lado, para lá das proteções nas cavas das rodas, destacam-se as jantes de 18”, a silhueta típica de SUV e as dimensões generosas dentro do segmento: 4,56 metros de comprimento (mais 22 cm do que o HR-V), 1,62 metros de altura e 1,84 metros de largura.
Interior decalcado do Civic
No habitáculo, tirando a consola central - agora mais elevada e com novas soluções de arrumação -, o desenho é quase um “espelho” do Civic. Isso percebe-se de imediato no volante e no tabliê, que mantém a orientação horizontal, os botões físicos e a grelha já conhecida do hatchback da marca.
No centro do tabliê está o ecrã multimédia de 9”, acompanhado por um painel de instrumentos totalmente digital, disponível em dois tamanhos: 7” no nível Sport e 10,2” na versão Advance.
Nos lugares traseiros, o espaço é agradável tanto para pernas como para a cabeça. Em contrapartida, as portas não abrem de forma muito ampla, o que torna o acesso um pouco menos prático. Os bancos traseiros são fixos e não permitem ajustar a inclinação, mas há duas portas USB e saídas de ventilação para quem viaja atrás.
E a bagageira?
Para mim, este é um dos aspetos menos conseguidos do Honda ZR-V, porque fica abaixo do que muitos rivais oferecem: a bagageira (com abertura elétrica de série) tem 380 litros. Na versão Advance, a capacidade desce 10 litros devido ao subwoofer do sistema de som Bose.
Apesar de ser larga e profunda, a bagageira tem pouca altura (por causa da localização da bateria), o que acaba por condicionar a utilização. Ainda assim, a chapeleira pode ser guardada sob o piso e os bancos traseiros rebatem, aumentando a capacidade para perto dos 900 litros.
Quando chega e quanto vai custar?
O Honda ZR-V deverá ser lançado em Portugal no final do ano, em novembro ou dezembro, com dois níveis de equipamento: Sport e Advance.
Os preços para o mercado português ainda não estão confirmados, mas os responsáveis da Honda em Portugal apontam para um valor de entrada entre os 45 000 euros e os 50 000 euros.
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