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Kia XCeed cumpre quase todos os requisitos: o que falta?

Carro SUV amarelo Kia XCeed Tech estacionado em sala de exposição com outras viaturas ao fundo.

O Kia XCeed continua focado em cumprir todos os requisitos. O que é que ainda falta?


Apesar de já começar a sentir-se «empurrado» para a fase final da sua vida comercial, com a chegada de uma longa lista de novos modelos da Kia nos próximos tempos, o XCeed mantém-se, ainda assim, como um dos pilares da marca.

Grande parte desse sucesso explica-se por continuar a dar resposta à maioria das exigências típicas dos compradores deste segmento. Em suma: tem um desenho agradável, uma presença com inspiração SUV e um habitáculo com bom espaço, complementado por uma dotação de equipamento bastante generosa.

O que parecia ficar a dever era, sobretudo, um motor mais apelativo. E é precisamente aí que surge a principal novidade.

O Kia XCeed passa a poder ser escolhido com o novo 1.5 T-GDi, com 140 cv, associado a uma caixa automática de dupla embraiagem de sete relações. Face ao anterior 1.4 T-GDI, esta é uma proposta mais equilibrada e com promessa de melhoria na eficiência de combustível.

XCeed com visual rejuvenescido?

O XCeed continua fiel à máxima de que não se mexe numa equipa que está a ganhar - e foi exactamente essa a abordagem da Kia na mais recente actualização do modelo.

Mantém-se a iluminação em LED e, no exemplar ensaiado, no nível de equipamento Tech (o mais completo), surgem as jantes de 18” que combinam com a suspensão específica desta versão, que oferece mais 44 mm de altura ao solo do que o Kia Ceed.

Lá dentro, permanece um ecrã tátil de 12,3” para o sistema de infoentretenimento. À frente do condutor, o painel de instrumentos é totalmente digital, personalizável, e conta com três temas - tantos quantos os modos de condução.

Na consola central, alguns comandos abandonaram os botões convencionais e passaram a ser táteis. Ainda assim, como ficam sempre no mesmo sítio no ecrã e não estão «escondidos» em menus, a alteração está bem conseguida.

Por sua vez, os comandos da climatização automática continuam, felizmente, a ser os mais tradicionais. Os botões são de leitura imediata, estão à mão e escaparam à tendência da digitalização.

Espaço suficiente

Neste ponto, o Kia XCeed não tenta surpreender: limita-se a cumprir, e fá-lo de forma competente, permitindo que quatro ocupantes viajem confortavelmente, mesmo nos bancos traseiros.

Por causa do desenho da carroçaria, passageiros traseiros mais altos podem ficar com a cabeça mais próxima do tejadilho, embora sem que isso se torne um verdadeiro incómodo. Até porque as costas dos bancos traseiros estão mais inclinadas do que o habitual, ajudando a compensar a questão da altura.

De volta aos lugares dianteiros, a posição de condução é acertada, com amplitude suficiente nas regulações e com espaços de arrumação em número adequado para os objectos do dia-a-dia.

Na traseira, apesar do ângulo das costas dos bancos, existe uma bagageira com 380 l e um piso amovível, sob o qual há um compartimento para itens mais pequenos. Por ser uma versão MHEV (híbrido ligeiro), há uma bateria instalada sob o piso da bagageira, o que acaba por «roubar» algum espaço. Sem esse condicionamento, a capacidade poderia chegar aos 426 l.

Motorização mais evoluída

O conjunto mecânico escondido sob o capô é o grande destaque deste Kia XCeed. Mesmo sem qualquer elemento exterior que identifique esta variante, está lá um novo motor turbo a gasolina de 1,5 l, com 140 cv e um binário máximo de 253 Nm.

No caso da unidade testada, em vez da habitual caixa manual de seis relações, surge a automática de dupla embraiagem com sete velocidades. Esta escolha traz também a inclusão do sistema MHEV (híbrido ligeiro), pensado para ajudar a conter as médias de consumo.

Segundo os dados oficiais, o consumo médio em ciclo combinado é de 6,2 l/100 km. Contudo, durante o nosso ensaio, nunca conseguimos igualar esse número - quer em cidade, quer em estrada, quer alternando entre ambos.

Com uma condução contida - mas sem «atrasar» o trânsito - registámos 7,3 l/100 km. Já no fecho do teste, somando alguns «abusos» dinâmicos a que submetemos o Kia XCeed, a média acabou por se fixar em 7,9 l/100 km. Ou seja, acima do valor indicado pela marca e também acima do que esperávamos.

Um bom parceiro?

Deixando os consumos de lado, o Kia XCeed continua a destacar-se por uma condução confortável e bem filtrada. A direcção tem o nível de assistência certo para a utilização urbana, embora perca interesse quando o percurso se torna mais sinuoso.

Naturalmente, este Kia XCeed não é o tipo de proposta que pede um cronómetro - e nem pretende sê-lo. Ainda assim, com mais altura ao solo do que o Ceed «normal» e com jantes de 18”, o comportamento é previsível e resolve uma sequência de curvas com alguma facilidade.

O suficiente, pelo menos, para nos fazer pensar que a caixa DCT já podia incluir patilhas de mudança atrás do volante. Mesmo não sendo a mais rápida do segmento, ajuda o motor e também facilita a vida ao condutor.

Até aqui, tudo pacífico. A maior fonte de «stress» aparece quando o Kia XCeed dispara avisos sonoros por praticamente tudo, muitas vezes sem ser claro o motivo. Pode ser por excedermos o limite de velocidade (mesmo quando isso acontece por causa de sinais de obras abandonados na estrada) ou por tocarmos na extremidade da faixa.

Depois, surgem alertas a informar que o limite de velocidade mudou ou que o sistema detectou um sinal de perigo. No fundo, é um «mundo» de avisos que dá vontade de desligar tudo - o que os torna inúteis - apesar de muitos serem agora obrigatórios.

Uma recheada versão Tech

O nível de equipamento Tech assume-se como o topo da gama e não oferece opcionais (para lá da palete de cores), o que faz com que a lista de equipamento de série seja bastante extensa.

Ainda assim, existem duas «falhas». Nas ligações Apple CarPlay e Android Auto, continua a ser necessário usar cabo, não havendo opção sem fios. E, na escolha da cor da carroçaria, é obrigatório optar por pintura metalizada, já que o modelo não disponibiliza qualquer tonalidade que não seja metalizada.

No entanto, sabendo que todas as opções de cor têm um custo razoável de 450 euros, porque não evitar o cinzento e escolher antes um tom mais vivo?

Com tudo isto em conta, o preço base do - respire fundo… - Kia XCeed 1.5 T-GDi MHEV 7DCT TECH é de 32 mil euros e o da unidade ensaiada… acertou: é de 32 450 euros. Ainda assim, como é habitual na marca, existe uma campanha de lançamento que pode retirar cerca de 2150 euros a este valor, fazendo com que esta versão do XCeed passe a custar 30 300 euros.

Veredito

Especificações técnicas

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