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Toyota C-HR PHEV: consumos baixos, eficiência alta e o preço que pode afastar particulares

Carro híbrido Toyota CHR-PHEV branco estacionado junto a posto de carregamento em espaço moderno.

Consumos muito baixos e eficiência elevada, mas o preço poderá «empurrar» o novo Toyota C-HR PHEV para as empresas e afastá-lo dos particulares. Ou será que não?


Depois da variante híbrida (híbrido integral), que chegou a Portugal em novembro de 2023, a Toyota passa agora a disponibilizar o C-HR com tecnologia híbrida de carregamento externo (PHEV), ou seja, com possibilidade de ligação à tomada.

Baseado no mesmo sistema híbrido de carregamento externo que já conhecemos do novo Toyota Prius, este C-HR PHEV promete uma autonomia real em modo 100% elétrico, ao mesmo tempo que entrega mais potência e uma resposta mais pronta.

A questão impõe-se: será que isso basta para compensar a diferença de preço face ao C-HR híbrido de 140 cv que já estava à venda? Fomos até Marselha, no sul de França, conduzi-lo para perceber melhor a resposta.

No exterior, não fosse a inscrição “PHEV” na tampa da bagageira e a presença da porta adicional para carregamento, seria quase impossível distinguir esta versão com ligação à tomada do C-HR híbrido convencional.

E isto está longe de ser um defeito: o desenho continua a ser um dos trunfos maiores desta nova geração do C-HR, que, neste momento, é um dos modelos mais relevantes da Toyota no mercado europeu.

Bagageira perdeu volume

Se por fora a receita se mantém praticamente inalterada, por dentro a história é semelhante. Tirando alguns botões físicos extra na consola central e certos menus dedicados na instrumentação, o ambiente a bordo é, na prática, o mesmo.

E ainda bem. Quando tive o primeiro contacto com a nova geração do C-HR, ficou claro para mim - e escrevi-o - que este era o melhor interior da Toyota na atualidade. Passados alguns meses, mantenho a mesma opinião.

No topo do tabliê encontramos materiais suaves ao toque, os acabamentos transmitem solidez e a montagem é rigorosa, como a marca japonesa nos tem vindo a habituar.

Além disso, este C-HR apresenta pormenores que normalmente associamos a propostas de segmento superior, com destaque imediato para o enorme tejadilho panorâmico com tratamento térmico.

E o espaço?

Apesar de a bateria ser maior do que na versão híbrida, o espaço nos bancos traseiros não sai penalizado, acomodando sem dificuldade passageiros até 1,85 m.

Ainda assim, a zona traseira continua a não ser particularmente folgada, mesmo que cumpra bem as necessidades do dia a dia.

Já na bagageira, esta variante híbrida de carregamento externo perde capacidade. A razão não está na bateria - que fica «arrumada» sob o piso do habitáculo -, mas sim no posicionamento dos carregadores de bordo, uma vez que um deles está instalado por baixo do piso da bagageira.

Desta forma, a capacidade de carga do PHEV fica limitada a 311 litros, face aos 388 litros da versão híbrida de 140 cv.

Este detalhe acentua ainda mais a separação entre o C-HR e o Corolla Cross. Se o primeiro se orienta cada vez mais para quem procura um modelo mais sofisticado e com maior prazer de condução, o segundo afirma-se, de forma crescente, como o familiar por excelência, mais espaçoso e mais versátil.

O mais potente da gama

Tal como referi no início, o sistema híbrido de carregamento externo do C-HR PHEV é o mesmo do novo Toyota Prius, combinando um motor a gasolina (quatro cilindros, atmosférico, 2,0 l) com um motor elétrico montado na dianteira.

O motor a gasolina debita 152 cv e 190 Nm de binário máximo. O motor elétrico, por sua vez, entrega 120 kW (163 cv) e 208 Nm. No total, o conjunto disponibiliza 223 cv de potência máxima combinada e 208 Nm de binário máximo, sempre transmitidos exclusivamente às duas rodas dianteiras.

Com estes valores, este C-HR assume-se como o mais potente e o mais rápido da gama: cumpre o 0 aos 100 km/h em 7,4s e atinge 180 km/h de velocidade máxima (limitada).

Na estrada, estes números sentem-se depressa. Bastam poucos quilómetros para perceber que a disponibilidade é claramente superior à do híbrido de 140 cv que conduzimos há alguns meses em Ibiza.

Mesmo assim, a forma como o carro entrega a performance é familiar: tudo acontece de maneira progressiva e suave, com transições muito bem trabalhadas entre a propulsão elétrica e o motor a gasolina.

Já que falamos de afinações, merece destaque o trabalho da Toyota na calibração do pedal de travão e no comportamento do modo B da caixa, que se mantém sempre muito agradável de utilizar.

Até 66 km de autonomia elétrica

A eficiência do conjunto também impressiona, começando pelo consumo de eletricidade: neste primeiro contacto, mantive valores consistentemente perto dos 10 kWh/100 km.

A este ritmo, seria até possível ir além (e com margem) dos 66 km de autonomia elétrica anunciados pela Toyota, tendo em conta a bateria com 13,8 kWh de capacidade.

Naturalmente, isto reflete-se também no consumo de gasolina: durante este primeiro contacto - cerca de 150 km percorridos -, os registos ficaram nos 2,3 l/100 km.

Para mim, este é o principal argumento do C-HR: é, de facto, um campeão de consumos. Não só permite fazer várias dezenas de quilómetros em modo elétrico, como também mantém valores muito baixos quando a carga da bateria termina.

Suspensão mais firme

Ao volante do C-HR PHEV torna-se evidente que a suspensão foi afinada de forma mais firme do que na variante híbrida de 140 cv. Não chega a ser surpreendente, até porque entre as duas versões há uma diferença de 215 kg.

Ainda assim, a suspensão consegue filtrar bem as irregularidades do piso e ajuda a manter o C-HR com um comportamento dinâmico muito competente.

Versão a pensar no cliente empresarial

A entrada na gama faz-se com o nível Empresas, embora o C-HR PHEV também possa ser configurado nas versões Coleção Square, Lounge e GR Sport Edição de Estreia.

A versão Empresas, direcionada para o mercado empresarial - mas também disponível para clientes particulares -, oferece de série jantes de 18″, instrumentação digital de 12,3″, ecrã multimédia de 8″, bancos dianteiros e volante aquecidos, ar condicionado automático de duas zonas, câmara de marcha-atrás, sensores de estacionamento e regulador de velocidade adaptativo inteligente.

No topo da gama do Toyota C-HR PHEV surge a GR Sport Edição de Estreia, que acrescenta bancos desportivos em pele e Alcantara, jantes de 20″, projeção de informação no para-brisas, sistema de som JBL com nove altifalantes e o tejadilho Céu Noturno Mais.

E os preços?

O novo C-HR PHEV chega com preços a partir de 46 020 euros (c/ IVA), valor correspondente à versão Empresas. Ainda assim, a Toyota acredita que a maior fatia das vendas vai concentrar-se na Coleção Square, cujo preço base é de 47 890 euros.

Face ao C-HR HEV de 140 cv, nas versões de entrada, a diferença anda perto dos nove mil euros. Para muitos particulares, o híbrido pode continuar a ser a escolha mais indicada - até porque os consumos também são muito apelativos.

Para quem faça percursos curtos em cidade e consiga carregar todos os dias, em casa ou no local de trabalho, o híbrido de carregamento externo pode tornar-se a alternativa mais interessante, mesmo com o custo adicional.

No caso das empresas, a dúvida é menor: o C-HR PHEV é a proposta com mais sentido, sobretudo quando se consideram os benefícios fiscais a que estes modelos ainda têm acesso.

Veredito

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