Na fotografia, Eddie Martin, engenheiro de investigação e desenvolvimento da YASA, segura um motor elétrico que parece desafiar a lógica: debita 750 kW de potência de pico (o equivalente a 1020 cv) e, ainda assim, fica-se pelos 12,7 kg.
À primeira vista, os números soam exagerados, mas são mesmo reais. O conjunto estabelece um novo recorde mundial não oficial de densidade de potência em motores elétricos, com 59 kW/kg (80 cv/kg). E fá-lo com uma margem confortável, ultrapassando o anterior máximo da própria YASA, registado no verão, de 42 kW/kg (57 cv/kg).
Não é a primeira vez que a YASA surge nas nossas páginas. A empresa britânica - atualmente detida pela Mercedes-Benz - especializou-se em motores elétricos de fluxo axial. Ao contrário dos motores mais comuns, de fluxo radial, onde o campo magnético se desenvolve num percurso circular, no fluxo axial esse campo orienta-se em paralelo com o eixo de rotação.
Na prática, isto traduz-se numa solução mais compacta e mais leve, capaz de entregar mais binário e mais potência por cada quilograma. Neste caso, o salto é particularmente evidente: um Tesla Model S Plaid precisa de três motores elétricos para chegar à mesma potência.
Engenharia com impacto real
Protótipo funcional e pronto para industrialização
A YASA sublinha que esta nova geração não é apenas um exercício teórico. O protótipo está operacional, encontra-se em testes de durabilidade e de potência em dinamómetro e foi desenvolvido sem recorrer a materiais exóticos - um detalhe importante por facilitar a passagem à produção em série.
“Não é um conceito digital. É hardware real, em funcionamento agora mesmo. Com 59 kW/kg, este é o motor elétrico mais denso alguma vez testado, e está pronto para ser produzido a uma escala industrial.”
Tim Woolmer, fundador e diretor técnico da YASA
Potência contínua estimada
De acordo com a YASA, a potência contínua deste motor deverá situar-se entre 350 kW e 400 kW (476–544 cv). Só estes valores, por si só, já superam aquilo que muitos sistemas atuais com dois motores elétricos conseguem disponibilizar em automóveis elétricos de estrada.
Com uma densidade de potência três vezes superior à de motores convencionais, este novo motor axial da YASA foi pensado para utilizações de alta performance - e é precisamente nesse tipo de aplicação que a AMG pretende tirar partido da tecnologia.
De Oxford para Affalterbach
Depois da aquisição pela Mercedes-Benz, em 2021, a YASA passou a desempenhar um papel central no desenvolvimento tecnológico dos futuros AMG elétricos, incluindo a futura super-berlina GT XX e um super-SUV. Não há confirmação de que estes modelos venham a usar exatamente este motor, mas serve como indicação clara do que poderá equipar os próximos AMG 100% elétricos - e, potencialmente, propostas de outras marcas.
A YASA já fornece motores elétricos de fluxo axial a construtores como a Koenigsegg, a Ferrari e a Lamborghini, que os integram em sistemas híbridos. Tudo indica que é apenas uma questão de tempo até vermos esta nova geração de motores a surgir em mais supercarros.
As vantagens são fáceis de perceber: trata-se de um motor compacto, muito leve e modular. Ou, dito de forma simples, pesa sensivelmente o mesmo que um pneu, ocupa menos espaço… e consegue ultrapassar os 1000 cv.
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