Há automóveis cujo nome fala por si, e o Nissan Skyline GT-R R33 encaixa nessa categoria. Ainda assim, mesmo dentro da família GT-R, existem derivações que ganharam estatuto de mito - e o Nismo 400R é um dos exemplos mais marcantes.
Apresentado em 1996, o Nismo 400R foi concebido com um objetivo bem definido: demonstrar o verdadeiro potencial do R33 quando deixava para trás as limitações do “acordo de cavalheiros” japonês, que fixava nos 280 cv a potência máxima dos modelos comercializados no Japão.
Mecânica RB-X GT2: dos 280 cv aos 400 cv
O resultado foi claro e sem rodeios: 400 cv. Este valor, assumido sem ambiguidades, acabou por dar nome ao modelo. Para o alcançar, o emblemático RB26DETT - um seis cilindros em linha biturbo de 2,6 litros - foi alvo de uma revisão profunda, ao ponto de passar a ser conhecido como RB-X GT2.
A cilindrada subiu de 2,6 para 2,8 litros e o motor recebeu uma cambota nova, assim como pistões, bielas e turbocompressores de maiores dimensões. As intervenções ficaram a cargo da Reinik, a mesma entidade que também assegurava os motores dos GT-R de competição do Grupo A.
Chassis e detalhes exteriores do Nismo 400R
As alterações não se limitavam ao compartimento do motor. Em comparação com os GT-R de série, o Nismo 400R contava com molas próprias e amortecedores Bilstein, responsáveis por baixar a altura ao solo em cerca de cinco centímetros. Somava ainda um sistema de escape revisto e vários reforços estruturais, pensados para o tornar mais direto, mais rígido e mais focado.
No capítulo visual, as diferenças eram igualmente evidentes: guarda-lamas alargados, para-choques dianteiro específico, saias laterais mais salientes e um spoiler traseiro que fazia com que o 400R não passasse despercebido.
Em paralelo, o capô era em fibra de carbono e, para rematar o conjunto, o desportivo japonês montava jantes Nismo LM-GT1, que reforçavam o seu «músculo».
Só foram feitas 44 unidades
A intenção inicial apontava para 100 exemplares, mas apenas foram concluídos 44 Nismo 400R, dos quais 41 estão registados no GT-R Registry. Cada unidade foi montada à mão na fábrica de Omori, no Japão, e os componentes exclusivos nunca foram comercializados em separado - um fator que torna praticamente impossível replicar um 400R.
Valorização em leilão quase três décadas depois
Agora, quase 30 anos mais tarde, a combinação entre raridade, pedigree técnico e aura cultural começa a notar-se de forma clara no mercado.
Um exemplo disso é esta unidade de 1996, que vai a leilão pela Broad Arrow Auctions no evento de Amelia Island (6 e 7 de março), por um valor que pode atingir 1,1 milhões de dólares (cerca de 932 mil euros à taxa de câmbio atual).
Trata-se do oitavo exemplar produzido, com pouco mais de 16 mil quilómetros, e é também um dos raros Nismo 400R existentes fora do Japão - circunstâncias que ajudam a explicar a sua valorização.
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