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VW Polo vs Mercedes A160: o utilitário caro que não convence

Carro Mercedes-Benz castanho conduzido numa estrada com árvores ao fundo.

Os alemães, nisso, são mesmo bons: conseguem pôr cá fora hatchbacks familiares com estilo, uma arrumação interior bem pensada, construção robusta e aquela desvalorização baixa que costuma acompanhar um nome de marca reconhecido e respeitado em todo o mundo. O resultado é um carro de quatro/cinco lugares, com espaço interior e de bagageira mais do que suficiente, e um desenho que parece moderno sem perder a classe. Sim, não há como fugir: o VW Polo é um carrão.

Preço do Mercedes A160 e a comparação inevitável com o VW Polo

Então porque é que alguém haveria de gastar o dobro num modelo com menos espaço, pior de conduzir e sem ser melhor construído? É uma pergunta pertinente - e é uma daquelas a que, um dia, alguém na Mercedes vai ter de responder. Veja-se este A160: custa £16,990. Fica por volta de duas vezes o valor de um utilitário de entrada e ainda acrescenta £3,000 ao preço do VW Polo mais requintado.

Qualidade de construção, fiabilidade e desvalorização

E o que é que se recebe em troca desse dinheiro extra? À partida, a mítica qualidade de construção da Mercedes. Bem… esqueça. No primeiro dia com este carro (um exemplar com um ano e 15,000 milhas), os limpa-para-brisas “bate-palmas” enrolaram-se de forma irreversível e foi preciso uma visita de urgência ao concessionário mais próximo; para piorar, o retrovisor interior ficou a abanar, solto.

E depois há a desvalorização. É verdade que, por norma, os Mercedes mantêm bem o valor, mas isto não é um Mercedes “tradicional”. Segundo os especialistas em desvalorização e custos de utilização da Emmox, um A140 de 1.4 litros sai a 28.1p por milha ao longo de three years, enquanto um Polo 1.4CL fica-se por 22.6p.

Estilo, posição de condução e o problema da visibilidade no A-Class

Talvez se esteja a pagar o estilo ou a posição de condução elevada e dominante. O carro, de facto, tem um ar excêntrico - sobretudo na traseira -, mas a visibilidade sofre com isso: quem vai atrás, especialmente crianças, acaba a olhar para uma secção cega do pilar em vez de ter uma janela. E, por causa do capot muito inclinado, o condutor também não consegue posicionar o carro com facilidade nas manobras de estacionamento. É certo que a postura alta ajuda no trânsito; ainda assim, no início a sensação é a de conduzir um carro perfeitamente normal… sentado em cima do tejadilho, e com um comportamento que transmite instabilidade.

E é aqui que surge o calcanhar de Aquiles do A-Class: a marca do “teste do alce”, da qual não se consegue fugir. Apesar de ABS, BAS, ASR e ESP - sistemas de tracção e travagem -, para quem não se deixa impressionar por siglas, o carro parece estar sempre prestes a tombar. Não tem fundamento, mas é, sem dúvida, inquietante.

O desenho é arrojado e toda a gente não se cala com a tal “embalagem” inteligente, mas por dentro não é assim tão espaçoso e a bagageira é minúscula. À frente, os ocupantes ficam demasiado próximos (talvez por causa das portas grossas); os botões dos vidros, no chão, ficam fora de mão; o rádio é difícil de ajustar em segurança com o carro em movimento; a posição de condução é péssima; e os porta-copos dianteiros estão praticamente atrás dos bancos. Isto não é design inteligente - é design falhado.

Se quer um hatchback alemão, compre um Polo. Se quer um desenho extravagante, compre um espremedor de limão Phillipe Starck e poupe £16,951

Chris Maillard

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