A celebração do título nacional do F. C. Porto continua bem presente na memória de Francesco Farioli, mas o treinador italiano admite que há dois temas que lhe tiram a tranquilidade nesta altura.
Mercado: Diogo Costa e Froholdt no radar
"Perder Diogo Costa e Froholdt no mercado? Nem quero pensar nisso porque, se acontecessem, isso iria estragar o meu verão e sinceramente acho que, aos fim destes anos, mereço umas férias com alguma calma. Vou ver o Diogo no Mundial, já falei com ele e está muito feliz por continuar e por voltar à Liga dos Campeões. Froholdt também já disse muito claramente que deseja ficar. Sabe que no futuro surgirão as oportunidades certas e essa oportunidade, espero, não será na próxima época", disse o técnico portista, em entrevista à RTP.
Mesmo assim, Farioli reconhece que o mercado pode obrigar a mudanças e que o grupo campeão não ficará necessariamente intacto.
"Espero não perder ninguém, mas já se sabe que isto é futebol. Este grupo teve a última dança no sábado. Vão acontecer adaptações, jogadores assediados por outros clubes. Da nossa parte, é muito claro o que vamos fazer, como queremos mexer-nos no mercado e o que queremos receber", acrescentou, sem revelar nomes de possíveis reforços nem clarificar o futuro dos quatro jogadores em final de contrato: Thiago Silva, Fofana, Moffi e De Jong.
Continuidade de Francesco Farioli no F. C. Porto
Quanto ao próprio futuro, o treinador afastou por completo qualquer cenário de saída no final da época, sublinhando que o projecto está apenas no começo.
"Ainda estamos no início da nossa caminhada. Demos o primeiro passo, o principal, mas agora é altura de nos mantermos no topo. Nem sequer penso ou considero a hipótese de sair. Acabámos de festejar o título, já estamos na fase da planificação da próxima época porque o dia 1 de julho já não está longe", afirmou.
Balanço da época: Jorge Costa, arbitragem e a festa nos Aliados
Ao revisitar a temporada, Farioli descreveu um ano carregado de "muitas emoções" e destacou Jorge Costa como figura determinante no percurso.
"Foi a nossa estrela-guia. Os poucos momentos que tive com ele foram suficientes para ele me transmitir o ADN do F. C. Porto e para que pudesse fazer o meu trabalho da melhor forma possível. O troféu que conquistámos, mais do que um pedaço de metal, simboliza o poder do coletivo, de uma equipa. Como ele disse após o jogo de apresentação com o Atlético de Madrid ao Tiago [Madureira] e ao Henrique [Monteiro], voltámos a ter uma equipa".
Questionado sobre a arbitragem, o técnico preferiu não alimentar o tema, embora tenha lembrado o nível de exigência do campeonato e algumas situações polémicas.
"Os nossos dois rivais são gigantes, um chegou aos quartos de final da Champions e o outro criou grandes problemas ao Real Madrid. Para ganhar o campeonato, tivemos de chegar aos 88 pontos, com desempenhos de alto nível, superando muitas dificuldades, como as lesões de Luuk de Jong e Samu, por exemplo, mas também algumas decisões arbitrais que foram, no mínimo, questionáveis. Aconteceram várias vezes, mas lutámos e a reação foi sempre muito positiva".
Sobre a ideia de ter praticado (ou não) melhor futebol do que os rivais, Farioli procurou definir o conceito e defendeu a consistência do F. C. Porto, negando ainda que tenha privilegiado o campeonato em detrimento da Taça de Portugal e da Liga Europa.
"Se jogámos melhor futebol do que os rivais? Primeiro, era interessante perceber o que significa essa definição. O que é jogar bem? Para mim, é ter uma equipa organizada, com o desejo de abordar os jogos e de os controlar, com e sem bola. Dominar as bolas paradas... Fomos os mais consistentes. Liderámos desde a primeira jornada, não perdemos nenhum jogo com os rivais. Estou muito orgulhoso do que os jogadores fizeram", sublinhou.
O treinador reforçou que a intenção foi competir em todas as frentes e explicou a gestão do plantel ao longo do calendário.
"Jogámos para vencer as três competições ou para chegar o mais longe possível. Estar a meio de abril nas três obrigou a gerir o grupo, mas a prioridade era ganhar o jogo seguinte. Quem pensou que estava a dar prioridade ao campeonato, não percebeu a planificação que fizemos. Tive a oportunidade de pôr toda a gente a competir. Não se pode mudar oito jogadores de um jogo para o outro se pensarmos que vamos ser esmagados. Só foi possível com um grupo de qualidade e com a mentalidade de que ninguém era mais importante do que o outro", referiu, confessando-se ainda impressionado com a dimensão da festa de sábado.
"Desde que cheguei que me falavam que tínhamos de voltar aos Aliados. Todos me referiam a necessidade de vencer e de lá chegar. A festa de sábado é o reflexo desse desejo extraordinário. Agora que conquistámos o título, o que aconteceu no Dragão, na Ribeira e nos Aliados.. Não me lembro de ver ninguém sem algo do clube para celebrar. Havia pessoas nos barcos, nos muros. Essa imagem vai ficar connosco para sempre. O momento em que partimos para os Aliados recompensa os sacrifícios que todos fizemos", concluiu.
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