O início da temporada de 2026 da Fórmula 1 está a ser vivido sob um clima de dúvida que ultrapassa largamente o novo regulamento técnico e a forma dos novos monolugares.
A subida de tensão geopolítica no Médio Oriente - com envolvimento direto dos Estados Unidos, do Irão e de Israel - levou as principais entidades do desporto motorizado a reforçar o estado de alerta e a encarar com seriedade a possibilidade de não se realizarem os Grandes Prémios do Barém (10-12 abril) e da Arábia Saudita (17-19 abril).
Alerta máximo para a Fórmula 1 2026: Liberty Media e FIA em vigilância
Para a Liberty Media, detentora dos direitos da Fórmula 1, e para a Federação Internacional do Automóvel (FIA), a segurança de todo o «circo» é o ponto central. Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, tem seguido de perto a evolução do conflito na região e deixou uma posição pública clara:
Estamos em contacto com os nossos clubes, promotores, equipas e colegas que estão no local, acompanhando a evolução da situação com cautela e responsabilidade.
Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA
“A segurança e o bem-estar guiarão as nossas decisões enquanto avaliamos os próximos eventos agendados para o local, relativos ao Campeonato Mundial de Resistência da FIA (WEC) e ao Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA”, disse Ben Sulayem em comunicado, difundido através da sua conta oficial no Instagram.
Logística e prazos: a decisão sobre o Barém aproxima-se
Com pouco mais de um mês até ao Grande Prémio do Barém, o que acontecer nos próximos dias será decisivo para a FIA fechar uma posição. Isto porque a preparação de um evento deste tipo começa muito antes do fim de semana de corrida, tanto do lado da promotora como do lado das equipas, que enfrentam uma operação logística complexa nos dias imediatamente anteriores à prova.
Portugal pode ser solução
Se a segurança nos circuitos de Sakhir (Barém) e Jeddah (Arábia Saudita) não puder ser assegurada e a FIA optar por cancelar as corridas, o Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão (Portugal), aparece como uma das alternativas mais fortes para manter a continuidade do calendário da Fórmula 1, segundo o reconhecido portal RacingNews365.
À semelhança do que se verificou durante os anos de pandemia, em 2020 e 2021, Portugal - que está previsto regressar ao calendário da F1 em 2027 - apresenta uma solução pronta a avançar, graças à homologação de Grau 1 da FIA (o patamar máximo atribuído pela entidade) e a uma infraestrutura logística já amplamente testada.
Além disso, o traçado de Portimão recebeu muitos elogios dos pilotos após as corridas de 2020 e 2021, sobretudo devido às variações de relevo e ao nível de exigência técnica que o circuito impõe.
Juntamente com o Autódromo Internacional do Algarve, o circuito de Imola também surge entre os principais candidatos a substituto. O emblemático traçado italiano beneficia de uma posição central na Europa, o que pode tornar mais simples a logística da «caravana» da Fórmula 1, uma vez que grande parte das equipas está baseada no Velho Continente.
O caso da Rússia
Esta não seria a primeira ocasião em que a Fórmula 1 teria de ajustar o seu plano global por motivos externos e de força maior. Ainda assim, também não seria novidade se a FIA decidisse cancelar estas duas corridas - ou apenas uma - e, depois, escolhesse não colocar nenhuma prova no lugar.
Basta recordar o que aconteceu em 2022, quando a FIA anulou o Grande Prémio da Rússia, na sequência do conflito com a Ucrânia, e acabou por não o substituir por qualquer outra corrida.
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