O maior fabricante automóvel chinês, colocado na sexta posição entre os grupos mundiais, atrás da Stellantis e da General Motors, está a considerar entrar no campeonato de Fórmula 1 para medir forças com marcas europeias e norte-americanas. A BYD avalia igualmente uma presença no campeonato de resistência, onde se incluem as 24 Horas de Le Mans. O presidente da FIA mostrou-se recetivo à hipótese de uma equipa chinesa.
Depois da Audi - que passou recentemente a integrar a F1 - e da chegada da Cadillac em parceria com a General Motors, a BYD poderá ser o próximo novo nome a juntar-se à grelha. De acordo com a Bloomberg, o principal construtor automóvel da China está a olhar para a Fórmula 1 como forma de reforçar a sua legitimidade no sector automóvel. Entre as suas marcas, a BYD detém a Yangwang, que produz, por exemplo, a U9 Xtreme: uma supercarro de 3 000 cv que se destacou no circuito de Nürburgring ao estabelecer um novo recorde com uma volta abaixo dos 7 minutos.
Já não há equipas asiáticas na F1 e o líder da FIA quer mudar isso
Para aumentar a notoriedade da marca, a BYD aponta à Fórmula 1, que, nos últimos seis anos, se transformou numa atração de massas graças ao investimento do seu novo proprietário, a Liberty Media, e à série da Netflix dedicada aos bastidores de cada temporada. Ao entrar na F1, a BYD passaria a enfrentar diretamente, entre outros, os construtores europeus e norte-americanos, numa altura em que já não existem equipas asiáticas (com a Honda apenas no papel de fornecedora de motores da equipa Aston Martin). As equipas asiáticas mais conhecidas do passado foram a Toyota (até 2009) e a Force India (até 2018).
Com um calendário cada vez mais virado para os Estados Unidos (3 Grandes Prémios em 2025, em Austin, no Texas, em Miami, na Florida, e em Las Vegas, no Nevada), a Fórmula 1 tem hoje uma forte marca norte-americana. E, em 2026, a Ford regressa à competição como motorista da equipa Oracle Red Bull Racing.
O investimento necessário para a BYD entrar na Fórmula 1
Para a BYD, a grande questão será perceber se um investimento desta dimensão compensa. Criar uma equipa de F1 está longe de ser um passo trivial: o projeto implica custos elevados, tanto no desenvolvimento como na participação efetiva dos monolugares. Numa época, uma equipa pode gastar até 500 milhões de dólares. Além disso, a entrada no campeonato pode exigir anos de negociações.
Ainda assim, Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA - a entidade que tutela a Fórmula 1 - declarou-se favorável à chegada de uma equipa chinesa. Numa entrevista ao Le Figaro no ano passado, afirmou que esse movimento seria a etapa lógica após a entrada da Cadillac.
Monolugares com baterias: o ponto que interessa à BYD
A BYD poderá ver vantagem na Fórmula 1 devido à possibilidade de um regulamento mais favorável a baterias de maior dimensão nos monolugares, em complemento ao motor de combustão. Ao vender veículos elétricos e híbridos (e ao produzir as suas próprias baterias), a BYD pretende promover uma abordagem multienergética e demonstrar capacidade para combinar tecnologias térmicas e elétricas em formatos diferentes do híbrido clássico (o conhecido motor DM-i). Com as suas marcas ultra-premium, a empresa já tem um pé no desporto motorizado, incluindo para explorar novas capacidades em chassis e suspensões inteligentes.
Resistência e 24 Horas de Le Mans: criar equipa ou avançar por aquisições
Em paralelo com a F1, a BYD também está a ponderar o campeonato de resistência, que inclui, entre outras provas, as 24 Horas de Le Mans, em França. Segundo a Bloomberg, planos desta natureza podem passar pela criação de uma equipa de raiz ou por aquisições externas, como forma de acelerar o processo e ganhar experiência e conhecimento técnico.
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