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Ensaio ao Maserati Quattroporte GT S

Carro desportivo azul Maserati a circular numa estrada com árvores ao fundo.

Nichos, tendências e truques de marketing

À medida que o sector automóvel se vai a desfazer em nichos cada vez mais pequenos, torna-se difícil perceber se os construtores estão a lançar carros para responder a uma procura real ou se estão, antes, a tentar fabricar um mercado para chapas que ninguém pediu. O novo Audi Cross Cabrio Quattro é o exemplo mais recente dessa manobra publicitária mal disfarçada, a típica resposta a uma pergunta que não existia.

Rumo a Modena: o que eu esperava do Maserati Quattroporte GT S

A caminho de Modena para experimentar este Maserati Quattroporte GT S, confesso que ia armado em cínico e à espera de algo do mesmo género: uma mistura perfeita de supercarro com iate de luxo sobre rodas. Pelo material de imprensa, o 'S' soava a tentativa de empurrar o já excelente Maserati grande ainda mais para perto do ideal do supercarro de quatro portas.

O antigo Sport GT até se safava bem, mas o novo modelo trocou a suspensão adaptativa 'Skyhook' por amortecedores Bilstein de taragem fixa e ainda recebeu um enorme conjunto de travões dianteiros de dupla fundição - uma estreia mundial - para reforçar a veia desportiva.

Chassis e dinâmica: menos “futurologia”, mais eficácia

Desculpem, mas por muito que se enfeite a história, isto não soa propriamente a uma abordagem “Tomorrow's World” à dinâmica de chassis. E estamos a falar de 90 000 libras de luxo exclusivo, desempenho premium, e mais não sei quê.

O cheiro a golpe de marketing estava no ar.

Ainda assim, o irritante é que o GT S conseguiu, de algum modo, esvaziar todo o meu cepticismo em relação a estas misturas de segmentos. Apesar de a ideia parecer simples no papel, a nova suspensão funciona de forma surpreendentemente positiva, transformando o que é, no fundo, um carro bem encorpado numa experiência segura, confiante e centrada no condutor - exactamente o tipo de sensação que não se espera de uma limusina.

V8 de 400 bhp e caixa ZF: a fórmula do compromisso

Ajuda o facto de o V8 de 400 bhp de origem Ferrari (e sem afinações extra no GT S) estar montado atrás do eixo dianteiro, garantindo uma distribuição de peso quase ideal de 50/50 entre frente e traseira. A caixa automática ZF também é um prazer, tanto para alternar entre perseguições a supercarros, ignorando o bom senso das leis, como para umas acelerações preguiçosas no meio da cidade. Em resumo: o GT S é um compromisso brilhante.

O que custa engolir: espaço, comandos e conforto

Há, no entanto, alguns pontos a ultrapassar. Para começar, aquela silhueta lindíssima acaba por impor concessões ao espaço: é bom, mas não é excelente. E, naquele interior tão sumptuoso, alguns comandos e acabamentos vão deixar qualquer um desiludido.

Quanto ao conforto de rolamento, a afinação mais desportiva torna-o um pouco duro demais, sobretudo a baixa velocidade.

Mas, claro, tudo isso se perdoa sempre que se olha para ele - e também sempre que se ouve. Vai apaixonar-vos de uma forma que a eficiência implacável de um AMG Merc nunca conseguiria.

Acima de tudo, a Maserati criou um verdadeiro supercarro de quatro portas, um para o qual tanto a Aston como a Porsche vão ter de trabalhar a sério para encontrar resposta. Se isso é bom? Oh, sim. Como se fosse preciso perguntar...

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