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Citroen C5: um compromisso premium no Reino Unido

Automóvel cinzento Citroën a circular numa estrada com paisagem verde e céu nublado ao fundo.

Suspensão e comportamento do Citroen C5

O desenho e a atmosfera a bordo são mais racionais, mas sem cair no aborrecido. Em estrada, a forma como se conduz e a prestação acabam por ficar muito próximas do que já se conhece.

No Citroen C5 há duas soluções de suspensão: por um lado, a Hydractive III + hidropneumática orientada para o conforto, aquela que tanta gente adorava no majestoso C6; por outro, um conjunto mais convencional com molas de aço, que a Citroen garante oferecerem uma “sensação de estrada mais directa”. A opção mais complexa é também a mais cara, embora a Citroen conte com uma procura aproximadamente 50/50 no Reino Unido.

Motores do Citroen C5 no Reino Unido

Para o Reino Unido estão previstos seis motores: dois a gasolina e quatro a gasóleo. No topo da gama surge um V6 Diesel biturbo de 208bhp, disponível apenas com caixa automática de seis velocidades. Na base está um quatro cilindros de 127bhp e 1.8-litre.

Os Diesel HDI de 2.0 e 2.2-litre deverão ser os mais procurados no Reino Unido - a Citroen quer atacar com força o mercado de frotas com este modelo - e ambos têm capacidade de sobra para fazer o C5 rolar sem aparentes dificuldades. Ainda assim, convém não ganhar confiança demais nos semáforos, porque qualquer rival que se queira nomear tem, de forma clara, uma veia mais desportiva.

Modos “Desporto” e “Conforto”: carácter e isolamento

Não é um automóvel particularmente rápido, mas acompanhar o ritmo também não é problema. A variante com mais personalidade é a que traz a Hydractive. Dá para seleccionar o modo “Desporto” e divertir-se com a boa margem de aderência disponível; em contrapartida, a direcção sabe um pouco amortecida e a ligação às rodas é quase totalmente filtrada.

A troca - quando se coloca o carro em “Conforto” e se deixa de ideias - é uma qualidade de rolamento tipo Lexus, mas mais leve. O C5 está mais firme do que um C6, por isso perde aquele ligeiro abanão de compressão, quase enjoativo, mas mantém a capacidade de eliminar uma grande quantidade de irregularidades realmente irritantes.

Não é o tapete mágico que alguns parecem imaginar: ainda passa algum ressoar de baixa frequência quando a amplitude é maior. Mesmo assim, o resultado impressiona. Ainda bem que a Citroen preservou um conforto de inspiração francesa - bater os alemães na dinâmica não é apenas difícil, é também um nicho já cheio; há quem prefira um pouco mais de descontração.

Preço, equipamento e a mensagem da marca

No conjunto, é uma proposta confortável, bem construída e bonita, feita com a intenção de aproximar a Citroen de um posicionamento mais premium. E tem um preço apelativo - em geral abaixo de Mondeo e Passat, quanto mais de BMW e Audi - e ainda com mais equipamento. Missão cumprida.

Só que há um senão: a Citroen, em praticamente toda a publicidade que vi, apresenta-se como marca de boa relação qualidade/preço. Descontos. Preços a descer. Barato.

E depois quer vender-me um automóvel que supostamente deve transmitir todas as qualidades de um premium? Não sei, meu caro; talvez eu fique com uma Série 3 numa configuração tão espartana que tenho de pedalar e sintonizar o rádio com as obturações. Não me apetece que os vizinhos achem que só consigo pagar um Citroen grande. Azar o nosso, no fundo.

A Citroen pode ter orgulho no C5 - é um carro que nos faz sentir bem em relação à marca. Não é o mais afinado em curva, nem o mais dinâmico do mercado, mas é um compromisso muito bem ponderado.

Se a Citroen conseguir que as pessoas deixem os preconceitos de lado tempo suficiente para fazerem um teste de condução, acredito que o C5 pode levar a marca francesa a patamares onde nunca esteve. É uma dose de brilhantismo no segmento médio. E isso é difícil de executar, mesmo quando se faz engenharia inversa a partir de produto alemão já existente.

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