Não toquem mais no Ford Puma. Ficou quase perfeito.
Soube que o Ford Puma ia receber uma atualização este ano e fiquei apreensivo. Este crossover sempre se destacou pelo prazer de condução e temi - admito - que a Ford aproveitasse para «cortar as garras» ao Puma. «Felizmente não…»
A marca limitou-se ao que fazia sentido mexer. Passados alguns anos no mercado, é normal que um modelo precise de retoques para se manter competitivo.
Por fora, as mudanças são discretas e exigem olho atento. Uma delas é o emblema, que deixou a zona superior da frente e passou para o centro da grelha, como noutros Ford. Os faróis adotam um grafismo diferente e, nesta unidade, as jantes de liga leve de 19” também são novas. Tirando isso, tudo parece manter-se - pelo menos no aspeto exterior.
Diferente, mas pouco
No interior é onde se notam mais alterações, logo a começar pelo desenho do tabliê. O conjunto ficou mais atual e, no geral, com melhor apresentação. O painel de instrumentos continua totalmente digital, mas agora surge num ecrã de 12,8’’.
Na consola central, quase todos os botões foram eliminados, incluindo os da climatização, que passaram a estar integrados no novo ecrã central maior (12’’). Além de maior, o ecrã oferece melhor resolução e um sistema mais intuitivo, com resposta mais rápida. No topo do tabliê, nesta versão, destaca-se ainda a barra de som do sistema assinado pela Bang & Olufsen para o Ford Puma.
Para quem vai ao lugar mais apetecível - o do condutor -, o elemento que mais salta à vista é, precisamente, o volante. Tanto em cima como em baixo, passou a ter um recorte mais plano, o que reforça a abordagem mais desportiva do modelo. Ainda assim, entre os bancos dianteiros, a Ford manteve uma alavanca de travão de mão manual, à moda antiga. «Curioso…»
Quanto a materiais, o tabliê, a consola central e os painéis das portas têm áreas revestidas a pele e com costuras vermelhas. Porém, nas zonas sem esse cuidado, encontramos plástico rígido e pouco agradável ao toque.
Atrás, os painéis das portas já não recebem pele nem costuras vermelhas - algo que acaba por estar alinhado com outras propostas deste segmento. Os bancos, esses, preservam o mesmo padrão dos lugares da frente.
Espaço a bordo do Ford Puma
Sendo um crossover compacto, seria fácil apontar limitações de habitabilidade ao Ford Puma. Ainda assim, entre os 4,2 m de comprimento e os quase 2,6 m de distância entre eixos, o resultado é um espaço competente para, idealmente, quatro ocupantes.
A segunda fila não é propriamente convidativa para um quinto passageiro, mas, com 1,85 m de altura, fiquei com alguns centímetros de folga até ao tejadilho. Em espaço para as pernas, desde que quem segue à frente não vá com as pernas totalmente esticadas, dá para encontrar um compromisso confortável.
Para a bagagem, a bagageira disponibiliza mais de 400 litros de capacidade. E, sob o piso, existe ainda um enorme «buraco» onde cabem muitos objetos e, por baixo desse compartimento, encontra-se o espaço destinado ao pneu sobresselente.
Ritmo convidativo
A parte que mais nos «preocupava» foi esclarecida numa estrada carregada de curvas. Podemos respirar de alívio: o Ford Puma 2024 continua a ser um dos crossover mais saborosos de conduzir.
Muito ajuda a boa posição ao volante, mas o que realmente marca a diferença é a excelente afinação do conjunto chassis/suspensão - com tendência para a firmeza, sem abdicar do conforto. É essa base que faz este modelo continuar a surpreender pela positiva.
Em traçados mais sinuosos, a direção revela-se direta e rigorosa. No conjunto, isso traduz-se numa sensação de grande confiança para quem conduz.
E, já num nível próximo do «exagero», os movimentos da carroçaria mantêm-se previsíveis, permitindo momentos mais divertidos do que seria de esperar num automóvel deste segmento.
Um pequeno super motor
Debaixo do capô está o conhecido 1.0 EcoBoost de três cilindros. Nesta configuração, debita 155 cv e 240 Nm, sempre associado a uma caixa automática de dupla embraiagem com sete relações. Só senti falta, verdadeiramente, das hastes atrás do volante para trocar de caixa quando a condução se torna mais «empenhada».
A completar o conjunto, há ainda o apoio de um sistema mild-hybrid de 48 V. Aqui, as fases de travagem e desaceleração são usadas para regenerar energia - algo que, em cidade, se percebe bem e pode mesmo reduzir a necessidade de recorrer aos travões.
Economia ou diversão?
No tema dos consumos, a Ford aponta para 5,7 l/100 km, mas isso pressupõe que o condutor se «porta bem». Não é um objetivo irrealista: com andamento calmo, seja em estrada ou autoestrada, é possível aproximar-se desses números. O «problema» é que o Ford Puma incentiva a puxar pelo motor…
Com mais quilómetros em trajetos sinuosos (em alternativa à autoestrada) e com o ar condicionado ligado, o 155 cv mostra-se mais sedento, ao mesmo tempo que os três cilindros se fazem ouvir com mais vontade. No final do ensaio, o computador de bordo já registava 7,9 l/100 km.
Escolha perfeita, ou nem por isso?
Dentro da gama atualizada do Ford Puma, a unidade das imagens é, sem dúvida, uma das mais apetecíveis. Tem tudo… menos um preço simpático.
Com o 1.0 EcoBoost de 155 cv e o nível de equipamento ST Line X, o valor base da unidade ensaiada é de 34 889 euros. Depois, somando os opcionais presentes, o total sobe para 39 577 euros.
É um valor elevado e fica praticamente «colado» ao do Ford Puma ST, a proposta mais desportiva e potente da gama, com preço base de 40 112 euros. E a escolha ainda se torna mais complicada ao percebermos que vários dos opcionais desta unidade já fazem parte do equipamento de série no ST.
Além disso, neste Puma com garras mais afiadas, o 1.0 EcoBoost entrega mais potência, a travagem é superior, a suspensão tem afinação específica, os bancos são mais desportivos e o aspeto exterior também é mais agressivo. Tudo isto por escassas centenas de euros face à «nossa» unidade - ou cerca de 2000 euros, se for escolhido o teto em preto.
Sem esquecer que estamos a falar de versões do Ford Puma a rondar os 40 mil euros, é inevitável: estes equipamentos pagam-se. Para quem procura um Puma mais «domesticado» e simples, existem alternativas por menos de 29 mil euros. Em contrapartida, trazem menos potência, caixa manual e uma lista de equipamento de série mais curta.
A diversão, essa, posso garantir, vem sempre incluída em qualquer versão. Nesta atualização do Ford Puma 2024, ainda bem, não estragaram a festa.
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