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Tesla deverá praticamente duplicar as entregas anuais até 2030: de 1,6 milhões para três milhões

Carro elétrico Tesla branco exibido num showroom moderno com grandes janelas e carregador elétrico ao fundo.

Várias consultoras e casas de análise apontam para um forte crescimento das entregas anuais da Tesla até ao final da década: de 1,6 milhões de unidades entregues em 2025 para cerca de três milhões em 2030. A particularidade é que esta não é uma meta comunicada pela marca norte-americana - são projeções externas que a própria empresa optou por divulgar.

Trajetória prevista das entregas da Tesla até 2030

Depois de 2025 ter ficado associado a uma descida tanto nas receitas como nas entregas, a expectativa para 2026 é de uma recuperação moderada, para 1,68 milhões de unidades. Em 2027, os analistas colocam as entregas em 1,88 milhões - valor que ultrapassaria o registado em 2024 -, seguindo-se 2,12 milhões em 2028.

A partir de 2029, os cenários traçados passam a incluir aumentos bem mais expressivos: 2,61 milhões de unidades nesse ano (um salto de cerca de meio milhão) e, por fim, aproximadamente três milhões em 2030 (mais 400 mil). A questão que fica no ar é simples: de onde vem este crescimento?

Os principais motores

De forma algo surpreendente, a maioria das estimativas continua a colocar o Tesla Model 3 e o Tesla Model Y no centro do aumento de volume, em vez de depender de novos modelos de grande escala. Para 2026, as projeções apontam para 1,62 milhões de entregas combinadas de Model 3 e Model Y, o que corresponderia a mais de 96% do total estimado. Em 2030, esse número deverá subir para 2,43 milhões, o que equivale a um crescimento de quase 50%.

“Outros modelos”: um salto difícil de explicar sem novidades

O restante volume previsto para 2030 - 570 mil unidades - encaixa na rubrica de “outros modelos”. Trata-se de uma subida muito acentuada (total de 840%) quando comparada com o que é projetado para este ano nessa mesma categoria, que não deverá ultrapassar 61 mil unidades.

Hoje, os “outros modelos” incluem a Cybertruck, o Model S e o Model X. No entanto, tanto o Model S como o Model X deverão deixar de ser produzidos até ao final deste mês. Isso coloca a Cybertruck, por si só, como a única candidata imediata a sustentar uma meta acima de meio milhão de unidades anuais - um objetivo difícil de justificar apenas com o modelo actual.

Daí que ganhe força a ideia de que a Tesla estará a preparar a entrada de novos modelos nos próximos anos.

O novo modelo que pode mudar tudo

É neste enquadramento que passam a pesar mais as recentes declarações de Elon Musk sobre um possível novo veículo. O CEO voltou a recorrer à rede social X para deixar uma pista, dizendo que a Tesla está a desenvolver algo “muito mais interessante do que um monovolume”.

"Vem aí algo muito mais fixe do que um monovolume"

  • Elon Musk (@elonmusk) 25 de março de 2026

A publicação surgiu em resposta a um utilizador que defendia que a Tesla devia criar um monovolume pensado para famílias numerosas. Sem qualquer anúncio oficial, um dos cenários considerados mais prováveis é o de um SUV grande, com três filas de bancos.

Importa lembrar que, no final do ano passado, a Tesla partilhou um vídeo oficial onde se via, em segundo plano, um protótipo com este tipo de configuração, com uma linguagem visual claramente inspirada na Cybertruck.

Também não está fora de hipótese a chegada de um Model Y com distância entre eixos alongada e três filas de lugares - versão que já é vendida na China. Protótipos de teste deste formato já foram observados na Europa, embora um modelo assim possa ter um potencial comercial ainda maior na América do Norte.

Cybercab e o contributo do robotáxi

A entrada no mercado do Cybercab, o robotáxi da marca norte-americana, deverá igualmente ajudar os totais, até porque a produção em série está prevista para começar em abril. Ainda assim, e como é habitual em Musk, os detalhes ficam para mais tarde.

Com os resultados do primeiro trimestre agendados para 2 de abril, espera-se que a Tesla clarifique melhor de que forma estas projeções se articulam com o seu plano - até porque escolheu torná-las públicas. Vale ainda recordar que, há alguns anos, Elon Musk antecipava que a Tesla poderia crescer até 20 milhões de unidades por ano, o dobro da Toyota - uma ambição que acabou por não se concretizar.


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